Bandidos matam mais um policial e queimam veículos

Com execução de cabo em Ferraz de Vasconcelos, Estado tem 6ª morte em dez dias; Alckmin fala que pode ser retaliação a PM

ADRIANA FERRAZ , RICARDO VALOTA, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2012 | 03h01

O cabo da Polícia Militar Joaquim Cabral de Carvalho, de 45 anos, foi executado na manhã de ontem com cinco tiros na região da cabeça em Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo. Em dez dias, é a 6.ª morte de um PM à paisana na Região Metropolitana. Desde janeiro, já foram 39 - contra 47 em todo o ano passado.

Além de mais uma morte, outros dois policiais sofreram emboscadas na noite de sexta-feira, mas conseguiram escapar ilesos. A madrugada de ontem contou ainda com um ônibus e um carro incendiados e um ataque frustrado contra uma base da PM em Diadema, no ABC paulista.

Ontem, pela primeira vez, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) admitiu que os ataques podem ser uma resposta dos bandidos ao trabalho da PM. "A polícia está trabalhando sem parar, então tem retaliação. E isso não vai fazer a polícia retroceder em nada", disse, na inauguração do Parque Belém, na zona leste.

A cúpula da Segurança Pública afirma que os casos são isolados e não há comprovação de que as ordens tenham partido de líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Mas, segundo o delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Marcos Carneiro Lima, há "boatos" de que integrantes soltos da facção possam estar, com ações independentes, tentando se desvincular dos grupos presos. "Ou mesmo que adolescentes estejam praticando os crimes para mostrar trabalho ao PCC", disse. Em alerta por causa dos ataques, a PM reforçou o policiamento noturno.

A vítima de ontem pertencia ao 32.º Batalhão de São Paulo e estava na corporação havia 28 anos. Carvalho foi atingido às 6h15, na frente da garagem de ônibus da empresa Radial Transporte, onde supostamente fazia bico de segurança. Era casado e deixa quatro filhos. Segundo a polícia, um Palio passou algumas vezes pelo local, até que duas pessoas desceram e dispararam. Testemunhas dizem que os bandidos não se preocuparam em se esconder de quem caminhava pelo local. Após atirarem, entraram no carro e fugiram.

Horas antes, na noite de sexta, um tenente da PM havia sofrido suposta tentativa de roubo. Ele reagiu e escapou dos criminosos, na Vila Maria, zona norte. Eram 22h30 quando o policial à paisana foi surpreendido, na frente de casa, por dois bandidos, um deles armado com revólver calibre 38. O oficial atirou e atingiu a barriga do criminoso, identificado como Everton Santos da Silva, de 33 anos - que já tem passagens por roubo, tráfico e porte ilegal de armas. Internado no Hospital das Clínicas, deve ser preso assim que receber alta. O outro criminoso fugiu.

A informação inicial - de que havia mais dois bandidos escondidos em uma viela próxima - não foi confirmada pelo policial, que saiu ileso. O carro dele, porém, foi alvejado.

O terceiro caso ocorreu em Vargem Grande Paulista, na sexta à noite. Um sargento da Polícia Militar Rodoviária afirma ter sofrido uma tentativa de homicídio na Rodovia Raposo Tavares. Ele voltava para casa em seu carro quando um motorista de um Voyage preto emparelhou e atirou contra o PM, que nada sofreu. Até às 23h de ontem, nenhum suspeito, de nenhum dos três casos, havia sido preso.

Ataques. Em Diadema, bandidos atearam fogo em um ônibus e um carro e tentaram atacar uma base da PM. A primeira ação ocorreu à 0h05, no cruzamento das Avenidas dos Signos e Afonso Monteiro da Cruz, no Parque Real, quase na divisa com a capital. Com a parada do ônibus para pegar um passageiro, os dois homens armados se aproximaram do coletivo e obrigaram o motorista a parar. O condutor, a cobradora e o passageiro que já havia entrado foram obrigados a descer. Eles viram quando a dupla incendiou o veículo usando um galão de gasolina. O motorista acredita que o desconhecido que deu sinal e entrou no ônibus seja comparsa da dupla.

Quase meia hora depois, dois homens incendiaram um Uno e empurraram o veículo em direção a uma base móvel da 3.ª Companhia do 24.º Batalhão, no bairro Serraria. O Fiat acabou batendo contra um segundo carro a caminho da base e não chegou a atingir o posto. Os PMs não conseguiram deter os criminosos. / COLABOROU WILLIAM CARDOSO

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