Bandidos matam mais um policial e queimam 2 veículos

Cabo foi executado em Ferraz de Vasconcelos; em Diadema, criminosos tentaram, sem sucesso, jogar carro contra base da PM

ADRIANA FERRAZ , RICARDO VALOTA, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2012 | 03h06

O cabo da Polícia Militar Joaquim Cabral de Carvalho, de 45 anos, foi executado na manhã de ontem com cinco tiros na região da cabeça em Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo. Ele estava sem farda e não teve tempo de reagir. Em dez dias, é a 6.ª morte de policial à paisana no Estado. Desde o início do ano, já foram 39. Para se ter uma ideia, 47 policiais morreram no ano passado inteiro.

Carvalho pertencia ao 32.º Batalhão de São Paulo e estava na corporação havia 28 anos. Ele foi atingido às 6h15, na frente da garagem de ônibus da empresa Radial Transporte, onde supostamente fazia bico de segurança. Era casado e deixa quatro filhos.

Segundo a polícia, um Palio passou algumas vezes pelo local, até que duas pessoas desceram e dispararam contra o cabo, que morreu no local. Testemunhas afirmam que criminosos não se preocuparam em se esconder de pessoas que caminhavam pelo local. Após atirarem, entraram no carro e fugiram. Até as 14h de ontem, ninguém havia sido preso.

Pouco antes, na capital, um tenente da Polícia Militar sofreu uma emboscada em uma suposta tentativa de roubo na noite de anteontem. Ele reagiu e escapou dos criminosos no Jardim Jalapão, região da Vila Maria, zona norte de São Paulo.

Eram 22h30 quando o policial, à paisana, que voltava do trabalho, parou o carro na frente da casa dele, na Rua Dona Piedade Duarte Oliveira. Logo foi surpreendido por dois bandidos, um deles armado com um revólver calibre 38. Segundo a vítima, a arma foi usada para bater contra o vidro do veículo e anunciar o assalto.

O oficial atirou e atingiu a barriga do criminoso, identificado como Everton Santos da Silva, de 33 anos, que já tem passagens por roubo, tráfico de drogas e porte ilegal de armas. Encaminhado ao pronto-socorro da Vila Maria, ele seria depois transferido ao Hospital das Clínicas e deve ser preso assim que receber alta. O outro criminoso fugiu.

A informação inicial - de que havia mais dois criminosos escondidos em uma viela próxima - não foi confirmada pelo policial, que saiu ileso. O carro dele, porém, foi alvejado por pelo menos oito disparos.

Ataques. Em Diadema, no ABC, criminosos atearam fogo em um ônibus e um carro e tentaram atacar uma base da Polícia Militar. A primeira ação ocorreu à 0h05, no cruzamento das Avenidas dos Signos e Afonso Monteiro da Cruz, no Parque Real, quase na divisa com a capital. Aproveitando a parada do ônibus para pegar um passageiro, dois homens armados se aproximaram do coletivo da Viação Benfica, que fazia a linha 21DP (Terminal Diadema - Terminal Piraporinha), e obrigaram o motorista a pará-lo. O condutor, a cobradora e o passageiro que já havia entrado foram obrigados a descer. Eles viram quando a dupla incendiou o veículo usando um galão de 5 litros de gasolina.

O motorista acredita que o desconhecido que deu sinal e entrou no ônibus seja comparsa da dupla e se passou por passageiro apenas para forçar o ônibus a parar no ponto.

Quase meia hora depois, dois homens incendiaram um Uno e empurraram o veículo, ainda em chamas, em direção a uma base móvel da 3.ª Companhia do 24.º Batalhão, instalada na esquina da Rua José Bonifácio com a Avenida Nossa Senhora das Graças, no bairro Serraria. O Fiat acabou batendo contra um segundo veículo a caminho da base e não chegou a atingir o posto. PMs correram em direção aos suspeitos, mas não conseguiram detê-los.

PCC. O comando da Polícia Militar voltou a afirmar ontem que os casos são isolados e não há comprovação de que as ordens para os ataques tenham partido de integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) presos em presídios paulistas.

Segundo o delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Marcos Carneiro Lima, há informações, porém, de que integrantes dessa mesma facção possam estar tentando se desvincular dos grupos que estão presos. As ações, então, podem ser resultado de novas lideranças, que tentam mostrar serviço do "lado de fora". / COLABOROU WILLIAM CARDOSO

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