Bandidos fogem após se passar por operários do PAC

Segundo a polícia, muitos também escaparam usando uniformes de empresas de serviços públicos e por tubulações de água e esgoto

Pedro Dantas / RIO, O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2010 | 00h00

Criminosos do Complexo do Alemão roubaram uniformes de operários da obra do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) e de concessionárias de serviços públicos para escapar da polícia. As rotas usadas pelos bandidos incluem tubulações de esgoto e de galerias pluviais.

"A informação que tivemos é de que eles pegaram esses uniformes. Os policiais no entorno estão informados e sabem que eles usarão todos os artifícios para sair", disse o delegado Fernando Veloso, titular da 14.ª Delegacia de Polícia do Leblon, que ontem coordenou buscas no conjunto de favelas da zona norte. Ele disse que traficantes ainda estão escondidos. "Na noite de domingo, após a informação de um morador, oito traficantes foram presos na tubulação de esgoto", disse o delegado.

 

 

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Morte. Ontem à tarde, um traficante morreu ao trocar tiros com a polícia na Favela Nova Brasília. Moradores afirmam que bandidos deixaram o Complexo do Alemão logo após a fuga da Vila Cruzeiro, no dia 25. Entre os criminosos que ficaram no conjunto de favelas, alguns escaparam usando uniformes de operários. "Outros tentavam fugir vestidos de religiosos, de mata-mosquito. Alguns conseguiram, é possível. Eles podem ter ido também na direção do Morro do Juramentinho, fugindo pela tubulação", disse o comandante do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), Paulo Henrique Moraes.

A Secretaria Municipal de Conservação e Obras informou que desconhece as galerias pluviais da região e realizará grande vistoria em parceria com a Rio Águas para saber se a fuga foi possível. O destino dos chefes teria sido favelas de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, e de Santa Cruz, na zona oeste da cidade. Uma das estratégias da polícia no primeiro dia de cerco às favelas do Alemão foi incentivar traficantes considerados menos importantes a deixar a favela.

Apesar de revistadas, muitas pessoas que deixavam o morro não tinham a ficha criminal checada. "Fizemos uma pressão psicológica para que aqueles que não tivessem tanto envolvimento com a quadrilha, mas que pegam em armas, fugissem e deixassem o caminho mais livre para o dia da invasão", comentou um oficial da Polícia Militar que participou das operações.

Apreensões. Chegam a 400 os veículos apreendidos com traficantes no Complexo do Alemão e na Vila Cruzeiro, segundo o delegado Márcio Mendonça, titular da Divisão de Roubos e Furtos de Automóveis. Desse total, 350 são motos. Algumas foram depenadas.

Ontem, a Polícia Civil apreendeu uma picape Toyota Hylux, com blindagem de nível 3, que teria sido abandonada por traficantes durante a fuga. O veículo havia sido furtado em junho e teve a placa clonada. Segundo o delegado, a maioria dos veículos é produto de furto. / COLABOROU JOSÉ MARIA TOMAZELA

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