JF Diorio/AE
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Bandidos fazem arrastão no Morumbi

Segundo vítima, adolescentes paravam carros na rua e davam itens roubados para adultos nas calçadas; PM não tem registro do crime

Camilla Haddad, O Estado de S.Paulo

02 Julho 2011 | 00h00

Um grupo formado por 14 criminosos armados fez um arrastão a motoristas que passavam ontem, às 6h30, pela Avenida Giovanni Gronchi, no Morumbi, zona sul de São Paulo. Segundo três vítimas ouvidas pela reportagem, o trânsito não estava lento, mas os assaltantes se jogavam na frente dos carros e obrigavam os motoristas a parar e entregar bolsas e relógios. Na calçada, parte do bando ficava com sacos plásticos onde eram guardados os objetos roubados.

O ataque contra os motoristas aconteceu entre os números 3.200 e 4.000 da via. Em uma das abordagens, um engenheiro de 50 anos obedeceu às ordens dos ladrões e, mesmo assim, teve o vidro de seu carro, um Peugeot 206 Escapade, quebrado pelos criminosos.

O engenheiro contou que teve de diminuir a velocidade do veículo para que pedestres pudessem atravessar a avenida e foi nesse momento que ele foi abordado pelo bando. A vítima disse que entregou cheques, dois celulares, cartões de crédito e o relógio que estava no pulso. Segundo o engenheiro, logo após o crime, os criminosos fugiram correndo em direção à favela de Paraisópolis, perto dali. A ocorrência foi registrada no 89.º DP (Portal do Morumbi).

Família. No mesmo horário, em outro carro, estava a família do autônomo Carlos Ferreira dos Santos, de 53 anos. Ele saiu de Taboão da Serra, na Grande São Paulo, com duas as filhas, o genro e a mulher. Todos seguiam para o trabalho, nas imediações do bairro do Paraíso, na zona sul da capital paulista. Todos os dias ele fazem o trajeto pela Avenida Francisco Mourato. Ontem, porém, ele estava atrasado e lembrou que parte da avenida estava em obras, por isso ele escolheu seguir pela Giovanni Gronchi.

Santos conta que os ladrões que agiam no meio da rua estavam muito nervosos e pareciam ser menores de idade. Já os comparsas, nas calçadas, aparentavam mais tranquilidade e eram adultos. Eles só seguravam grandes sacolas e iam escondendo as bolsas e carteiras recolhidas pelos adolescentes. "Minhas filhas ficaram desesperadas, todas chorando muito", contou Santos. "Hoje (ontem), foi arrastão mesmo. Quem passou por lá foi vítima", destacou.

O autônomo descreveu que, mais à frente, outros três carros estava sendo alvo da gangue. Além dele, um outro motorista reclamou do crime, mas não registrou a ocorrência.

Registro. A Polícia Militar negou que a região tenha tido um arrastão e disse ter a confirmação de um caso pontual: um assalto comunicado pelo telefone de emergência 190.

A capitão Raquel Candido, do 16.º Batalhão da Polícia Militar, diz que a área necessita de atenção por ser próxima das favelas Paraisópolis e Colombo. "Temos a base no estádio (do Morumbi), um trailer diariamente da PM e quatro motos das 6 às 23 horas", contou Raquel.

Segundo a capitão, em 2010 foram registrados casos de arrastão em dias de jogos de futebol no Morumbi, mas em 2011 não há informações. "Hoje foi um roubo no 4.000, que possivelmente foi da Paraisópolis."

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