Bandidos fazem 43 reféns por quase três horas em Santos

Quatro assaltantes tentaram roubar uma loja do McDonald´s; polícia foi acionada e negociou com a quadrilha

Andressa Zanandrea e Ricardo Valota - Jornal da Tarde e estadao.com.br,

17 de março de 2008 | 04h47

Durante cerca de três horas, 43 pessoas ficaram sob a mira de revólveres empunhados por uma quadrilha em um McDonald's em Santos, no litoral, na madrugada desta segunda-feira, 17. Com a garantia de que sairiam vivos, os quatro bandidos se entregaram à polícia e libertaram os reféns. Apenas um deles, o gerente da loja, foi ferido com coronhadas.   Eram por volta da 0h40 quando os quatro homens entraram na loja, na Avenida Bartolomeu de Gusmão, próximo ao canal seis, na Ponta da Praia, e se dirigiram aos caixas para pedir lanches. De repente, foram até a porta, onde estava o segurança, de 26 anos, o renderam e anunciaram o assalto. "Fechei a porta por volta da 0h45 e fiquei lá, abrindo e fechando para quem precisasse sair. Eles esperaram três clientes irem embora. Fui o primeiro a ser rendido."   A intenção inicial dos bandidos era fazer apenas um assalto, mas um cliente conseguiu agir rápido e telefonar para uma pessoa, que acionou a polícia. Duas viaturas da Força Tática do 6º Batalhão do Interior chegaram em poucos minutos à lanchonete. Com as Blazers, os policiais fecharam as duas saídas.   Quando os policiais chegaram, um dos bandidos estava na porta e correu para dentro da lanchonete, segundo o capitão Flávio de Brito Júnior, comandante da Força Tática do 6º Batalhão do Interior. Encurralados, resolveram manter funcionários e clientes reféns. Cinco ou seis pessoas foram mantidas sentadas na cozinha, atrás do balcão, no primeiro andar, enquanto o restante foi levado para uma sala da administração, no segundo piso.   Imediatamente, começaram as negociações para a libertação dos reféns. Os policiais ficaram a alguns metros do grupo que estava no primeiro andar, onde ficam as mesas. Os bandidos gritavam, de dentro da cozinha. A área próxima à lanchonete foi interditada pela polícia. Ao todo, participaram da ação cerca de 40 policiais militares, dos quais 25 da Força Tática.   Em meio à tensão, duas reféns passaram mal tamanho o nervosismo. Por volta das 2h30, as moças foram libertadas, uma de cada vez, pela quadrilha. "A liberação delas foi uma exigência na negociação", afirma o capitão. Elas foram atendidas no local pela equipe de Resgate do Corpo de Bombeiros e liberadas em seguida.   Durante as negociações, alguns reféns foram ameaçados e tiveram armas apontadas para suas cabeças. O gerente da loja levou coronhadas na nuca e foi levado ao hospital, onde foi medicado e depois liberado.   Para libertar os reféns, as exigências da quadrilha, segundo o major Fernando Melo, eram ter as garantias de vida e de integridade física, que não houvesse nenhum movimento violento por parte da polícia e a presença de pessoas que não fossem policiais, no caso, a imprensa.   Após a chegada da imprensa e com a garantia de que ficariam vivos, os assaltantes resolveram se entregar e libertar todos os reféns. Eles deixaram o estabelecimento - um a um - por volta das 3h45. "Foi uma situação todo o tempo muito preocupante. Mas tivemos um final feliz", diz o major.   A quadrilha foi levada ao 3º Distrito Policial, da Ponta da Praia. Dois revólveres calibre 38 carregados e com numerações raspadas foram apreendidos. Os quatro criminosos são do distrito de Vicente de Carvalho, no Guarujá. Três deles têm passagens por roubo - um deles inclusive é foragido da Justiça - e outro, por receptação.

Tudo o que sabemos sobre:
assaltorefénsMcDonald´s

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.