Bandeirante e Eletropaulo não atingem meta da Arsesp

As duas foram as distribuidoras de energia que mais deixaram o consumidor paulista no escuro no ano passado

Fábio Mazzitelli, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2011 | 00h00

A Bandeirante Energia e a AES Eletropaulo foram as distribuidoras de energia que mais deixaram o consumidor paulista no escuro em 2010, com índices superiores às metas fixadas para elas, segundo a Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp).

Líder no ranking de quedas de energia, com média anual de falta de luz de 16h27 por consumidor, a Bandeirante bateu recorde negativo e teve seu pior indicador de qualidade desde 1999 - a meta da empresa para 2010 era atingir 10h09. A concessionária fornece energia para todos os habitantes de Guarulhos, a segunda cidade mais populosa do Estado, entre outros municípios.

No mesmo índice, que mede a capacidade de a concessionária restabelecer a energia rapidamente, a Eletropaulo, que atende a capital, deixou os seus consumidores sem luz, em média, por 14h45 no ano, indicador bem acima do padrão máximo fixada para a concessionária, de 9h34.

A Elektro, terceira com pior desempenho, também registrou recorde negativo do índice DEC, de 12h14. O DEC aponta o número médio de horas que cada consumidor atendido pela empresa ficou sem luz - a meta da Elektro no ano passado era 10h05 (veja os números acima).

"No Japão, a média anual fica em torno de 2h30 por consumidor. Nos Estados Unidos, depende muito da área, mas fica em 3h, 4h... A média do Brasil é mais alta do que a do Estado, mas mais de 10h de média no ano não é um indicador adequado para as concessionárias", diz Aderbal Penteado, diretor de fiscalização da Arsesp.

Especialistas apontam o boom imobiliário na Grande São Paulo, reproduzido em menor escala em outras partes do Estado, e falta de investimentos de concessionárias para acompanhar a demanda crescente por energia como explicações para a piora nos indicadores. "Moro no Morumbi e as interrupções têm sido cada vez mais frequentes. É notório que os investimentos na distribuição não têm acompanhado a ampliação do consumo", diz o engenheiro Martin Crnugelj, ex-presidente do Comitê Brasileiro de Eletricidade.

Nos indicadores, a situação atual é comparável a anos de grandes apagões - como 1999, 2002 e 2009. "Não tem havido falta de geração (de energia). Agora os problemas estão concentrados em transmissão e distribuição", diz o físico Luiz Pinguelli Rosa, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

As distribuidoras de energia de São Paulo dizem investir em manutenção e melhorias da rede elétrica e citam "condições climáticas" adversas para justificar os atuais índices de qualidade.

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