Banda diz que pane elétrica causou incêndio

Segundo os músicos, tipo de fogo de artifício usado não provocaria chama; delegado e especialista contestam a versão

O Estado de S.Paulo

30 Janeiro 2013 | 02h03

Em depoimento dado ao Ministério Público gaúcho, integrantes da banda Gurizada Fandangueira afirmaram que o incêndio que matou 235 pessoas na boate Kiss, em Santa Maria (RS), na madrugada de domingo, não foi causado por sinalizador manipulado por eles, mas sim por uma pane elétrica no equipamento da boate.

"Eles dizem que o sinalizador era de fogo frio, sem pólvora, que não poderia incendiar material algum. E que já haviam usado isso em outras apresentações, inclusive na mesma boate", afirmou a promotora Valeska Agostini, que cuida do caso com o promotor Joel Oliveira Dutra.

O delegado regional Marcelo Arygone, no entanto, contesta essa versão e afirma que a banda comprou um equipamento que não era apropriado para lugares fechados. "Eles compraram um sinalizador de pirotecnia mais barato, que sabiam que era exclusivamente para ambientes abertos, porque falaram que era mais barato", explicou Arygone. "O sinalizador para ambiente aberto custava R$ 2,50 a unidade e, para ambiente fechado, R$ 70. Eles sabiam disso, usaram esse modelo para economizar."

Por sua vez, os donos da boate afirmaram que não haviam autorizado nenhuma apresentação pirotécnica no local.

Fogo frio. Segundo Valter Jeremias, um dos diretores da Associação Brasileira de Pirotecnia (Assobrapi), o fogo frio é diferente do fogo normal porque suas fagulhas não queimam. Ele usa como exemplo a vela faísca que geralmente é usada em bolos de aniversário. "Se você colocar a mão perto da faísca, ela não queima, mas o suporte esquenta do mesmo jeito e pode causar queimaduras."

Jeremias afirma, no entanto, que os sputniks - tipo de rojão que supostamente foi usado pela banda - não são feitos de fogo frio. "Para usar pirotecnia em um ambiente fechado, você precisa antes de um estudo de um profissional especializado nisso", lembrou.

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