Bancos investigam como notas rosas voltam aos caixas

Segundo sindicalista, os equipamentos usados em contagem não identificam a tinta; Febraban estuda forma de inutilizar cédulas

Flávia Tavares, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2011 | 00h00

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) investiga com técnicos, instituições financeiras e prestadores de serviços que transportam valores para descobrir como as notas rosas, com manchas antifurto, têm voltado aos caixas eletrônicos e às mãos dos consumidores pelo País.

Segundo Daniel Reis, secretário do Sindicato dos Bancários de São Paulo, as notas são contadas eletronicamente, antes de serem colocadas nas máquinas e o equipamento que faz a contagem não identificaria a nota pintada. A Febraban evita comentar oficialmente o assunto, mas diz que a tesouraria das instituições fica atenta para as notas manchadas. A instituição estuda formas de inutilizar as cédulas, para que não voltem aos caixas, e novas soluções de segurança para caixas eletrônicos.

A federação ainda ressaltou que "a responsabilidade pelo abastecimento dos caixas eletrônicos instalados nas agências e nos postos de atendimento bancários é das instituições financeiras". E são elas que contratam transportadoras de valores para realizar o serviço.

O Banco Central, por sua vez, disse que as determinações anunciadas ontem são uma forma de forçar os bancos a aprimorar o serviço. "Se cédulas manchadas estão sendo colocadas nos terminais é porque o processo de seleção e conferência dessas notas não está sendo suficientemente cuidadoso", informou.

Receio. A medida anunciada pelo Banco Central, que obriga os bancos a ressarcir o consumidor, deverá trazer aos poucos alguma tranquilidade. Mas ontem ainda se sentia um receio dos usuários dos caixas. "Estou conferindo nota por nota", diz o mestre de obras Robério Celestino de Aguiar, de 37 anos, que tinha acabado de tirar R$ 50. Ele ressalta que a conferência foi feita ainda dentro da cabine, para evitar que alguém mal-intencionado conferisse com ele.

Fabiano Borges, que trabalha em uma concessionária na zona oeste, também verificou se não pegou notas rosas. "E na loja estamos checando todos os pagamentos." /COLABORARAM CAMILLA HADDAD e GIO MENDES

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