Andre Lessa/AE
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Banco comunitário apela à internet

Objetivo era conseguir manter moeda social

Juliana Deodoro, O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2012 | 03h01

Em 2009, cinco bancos comunitários foram abertos na periferia paulistana com um objetivo comum: desenvolver a economia local, sem cobrar juros abusivos, e imprimir moedas próprias para serem usadas nos bairros. Quase quatro anos depois, um deles apelou à internet contra a falta de crédito.

Para aumentar o lastro em R$ 20 mil, coordenadores do União Sampaio, que funciona no Jardim Maria Sampaio, extremo sul da capital, recorreram a um site de financiamento colaborativo. Em menos de dois meses, 130 colaboradores doaram o suficiente para atingir o montante.

No bairro, não há agências bancárias convencionais. Para sacar, depositar ou transferir dinheiro, moradores têm de pegar pelo menos dois ônibus até o Campo Limpo. O único banco local é o União Sampaio, que funciona nos fundos da União Popular das Mulheres e gerencia o sampaio, moeda social criada por eles. "Os sampaios servem para questões mais imediatas, como compra de comida ou materiais de construção. Mas, para emprestar o dinheiro, precisamos ter um lastro em reais e esse é o nosso maior problema", conta um dos coordenadores do banco, Thiago Vinícius.

Para o coordenador da Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares da USP, Reinaldo Pacheco da Costa, o desafio das moedas é manter a continuidade. "À medida que nem todos os moradores pagam os empréstimos, o lastro vai sumindo."

Para incentivar moradores a usarem a moeda local, o comerciante Marcos Morais dá 5% de desconto a quem paga com sampaio. Segundo ele, é uma forma de melhorar o bairro. No dia da entrevista, ele tinha mais de cem sampaios em caixa. "Costumo não trocar o dinheiro. Vou ao mercadinho da esquina e faço compras para a moeda circular."

A criação de moedas sociais está sendo estimulada pelo governo federal. No ano passado, o Ministério do Trabalho anunciou que pretendia aumentar em 130% o número de bancos comunitários no País. "Vamos tentar verificar essa falta de lastro para irmos atrás de bancos públicos, como o BNDES", diz o secretário nacional de Economia Solidária, Paul Singer.

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