Banca chega a custar R$ 1 mi

Embora proibido, a compra e venda de boxes acontece livremente na Feirinha da Madrugada

Paulo Saldaña, O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2010 | 00h00

Mesmo proibido, o comércio de bancas na Feirinha da Madrugada acontece livremente e de maneira bem lucrativa. Em lugares privilegiados, há bancas que passam de R$ 1 milhão.

O ex-administrador, Ailton Vicente de Oliveira, conta que um box onde funciona uma lanchonete foi comprado por R$ 600 mil. Ao longo do mês passado, a reportagem se passou por um interessado em comprar bancas. Com ajuda de um ambulante que abastece vendedores com mercadoria ilegal, conseguiu dois boxes vizinhos. De menos de quatro metros quadrados, em uma quadra que não é das principais, pela quantia de R$ 100 mil.

"O preço está bom", avisou o ambulante, identificado como Ribeiro "É mais fácil ganhar na loteria do que conseguir box em uma rua principal."

O vendedor revela que há até corretores no local. Mas avisa: para lucrar na feirinha, tem de ter preço e volume. "Consigo entregar óculos aqui a R$ 1,50, em lotes de 30 mil unidades. Bolsas a R$ 6,00." Tudo falso e contrabandeado. Peças de marcas como Ray Ban, Louis Vuitton e Chanel são abundantes. Em muitas barracas, chineses comandam os negócios.

Outro ambulante explica que é mais fácil alugar do que comprar. "Ninguém quer perder a boca aqui." O aluguel de um box fica em R$ 2 mil.

O integrante de um dos sindicatos que representam os ambulantes afirma que "99% da mercadoria" da feira é ilegal. "Tem quem pague R$ 5 mil por mês de propina. Mas para onde vai o "rateio" não dá para saber."

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