JB Neto/Estadão
JB Neto/Estadão

Baladas agora têm bombeiro na porta para atrair cliente

Tragédia em Santa Maria esvazia noite no Baixo Augusta e dá ‘cara’ mais segura a casas de Pinheiros, Itaim e outros bairros

Artur Rodrigus, Nataly Costa, Valéria França e William Castanho,

02 Fevereiro 2013 | 17h31

Quem saiu na noite paulistana durante a semana notou que o cenário mudou. Depois da morte de 236 jovens na boate Kiss, em Santa Maria (RS), no domingo passado, várias casas fecharam as portas em São Paulo, por tempo indeterminado, deixando as ruas mais vazias, principalmente na região do Baixo Augusta, no centro.

Em outros pontos da cidade, como Vila Olímpia, Pinheiros e Itaim-Bibi, na zona sul, as casas que continuaram funcionando deram outra cara às suas fachadas. No lugar de belas hostesses, foram os bombeiros que ganharam destaque na porta da balada. Diante de algumas delas, como o Carioca Club, em Pinheiros, tinha até ambulância estacionada na noite de quinta-feira.

Transmitir segurança aos frequentadores passou a ser o mais importante. Logo na parede ao lado do guichê, local onde os baladeiros mostram a identidade, foram pendurados alvará e Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros. Na She Rocks, balada do Itaim, por exemplo, a papelada estava sob uma luz de iluminação típica de quadro. E todo mundo que entrava olhava e fazia algum comentário do tipo “Aqui tem alvará, né?! Isso quer dizer que não vai pegar fogo”.

Mudança. Em outros tempos, a maioria dos frequentadores não se importaria com isso. E na fila, antes de entrar, dificilmente estaria falando de incêndio, alvará e porta de emergência. Agora, porém, esses são os assuntos mais comentados.

A pelo menos 200 metros da porta da D-Edge, na Barra Funda, a estudante Emilly Serpa, de 18 anos, já anunciava que a primeira coisa que faria após entrar seria checar onde fica a saída de emergência.

“Minha mãe não queria que eu viesse. Mas eu jurei para ela que a balada era segura. Tem até bombeiro na porta”, disse Vitória Puccia, de 21 anos, que estava com outras amigas comemorando o aniversário de Emilly. Na The Clash, no mesmo bairro, o clima era parecido.

Já no Baixo Augusta, região com o maior número de casas fechadas – entre elas Sarajevo Club, Studio SP e Lab–, o movimento foi abaixo do normal a semana toda. O vai e vem dos jovens na calçada foi substituído por um vazio, que era sintoma do luto e também do medo da fiscalização que contagiou os empresários da noite.

“Eu também teria medo de abrir se minha casa não fosse nova e não estivesse com todas os itens checados e toda a documentação em dia”, disse Ronaldo Rinaldi, de 29 anos, proprietário da Blitz Haus, inaugurada há um mês na Rua Augusta – e que estava entre as poucas casas abertas na semana na região.

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