Balada que revitalizou Augusta vai virar prédio

'Proposta milionária' faz clube noturno Vegas fechar as portas depois de sete anos

VALÉRIA FRANÇA, O Estado de S.Paulo

18 Abril 2012 | 03h03

Depois de sete anos, o Vegas Club, balada que começou a revitalizar a região do Baixo Augusta, fechou anteontem oficialmente as portas. Frequentadores ficaram sabendo do fim por um comunicado na internet. O empresário Facundo Guerra, um dos sócios da casa, postou carta aberta no Facebook explicando que o imóvel foi vendido para um empreendimento imobiliário.

"O Vegas tombou não por causa da falência do projeto, mas em virtude do preço do metro quadrado na região, hoje uma das mais valorizadas de São Paulo", escreveu Guerra. De acordo com a carta, o dono do galpão onde funcionava a balada recebeu uma proposta "milionária". "Batalhamos até o último minuto, mas nesta segunda-feira resolvemos jogar a toalha." Guerra manteve em sigilo os detalhes do negócio e não quis dar entrevista.

Quando o Vegas abriu as portas, o Baixo Augusta era apenas um corredor comercial. "Durante a noite, o clima era muito pesado. As pessoas tinham medo de descer até a região central por causa do tráfico de drogas e da prostituição", lembra André Hidalgo, sócio do Clube Glória, no Bexiga, que mora há 20 anos na Rua Augusta. "A casa trouxe uma outra vida para a região."

Na sombra do Vegas, surgiram outras baladas, como Studio SP, Inferno e Z Outs. E esse trecho da rua foi se transformando em um ponto de diversão de jovens de diferentes regiões da cidade.

"Quando abriu as portas, o Vegas foi a primeira casa a misturar tribos diferentes. E não foi por causa do som ou da decoração, mas pela sua localização", diz Flávia Ceccato, ex-proprietária do Lov.e, na Vila Olímpia, e desde 2009 sócia do Hot Hot, na Bela Vista.

O sucesso do Vegas pode ser medido pela expansão dos negócios de Facundo, que na sequência da inauguração do clube abriu mais cinco casas em São Paulo - Lions Nightclub, Yacht, Z Carniceria, Volt e Cine Joia, misto de espaço cultural, balada e casa de shows.

Valorização. O processo valorizou os imóveis do Baixo Augusta e das ruas próximas. Segundo levantamento da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp), nos últimos 14 meses foram levantados nove empreendimentos na região. "Foram construídos apartamentos de um a quatro dormitórios, vendidos pelo preço médio de R$ 8,5 mil o m². Nos últimos sete anos, o valor dos imóveis dobrou na região", diz Luiz Paulo Pompéia, diretor da Embraesp.

Os preços deram uma arrancada maior com o lançamento no ano passado do empreendimento do Hotel Ca'd'Oro. Ícone da capital paulista nos anos 1950, o hotel será relançado com o conceito de mixed-use (leia mais ao lado). E foi essa alta dos preços que fez o símbolo do novo Baixo Augusta fechar as portas. "Toda casa tem seu tempo de vida", lembra Flávia Ceccato. "Faz parte do negócio."

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