Bala que matou jovem em Heliópolis partiu de arma de GCM

Guarda civil que disparou durante tiroteio deve ser indiciado por homicídio culposo; morte causou protestos

Fabiana Marchezi, Central de Notícias,

10 de setembro de 2009 | 11h37

A bala que matou a estudante Ana Cristina, de 17 anos, na favela de Heliópolis, zona sul de São Paulo, foi disparada por um guarda civil metropolitano de São Caetano. A morte da jovem causou protestos na maior favela de São Paulo no começo deste mês. O GCM usava um revólver calibre 38, segundo confirmação da Secretaria de Segurança Pública na manhã desta quinta-feira, 10. A confirmação foi dada após o laudo de balística do Instituto de Criminalística (IC). Com a confirmação, o guarda civil Edson Damião Estevam, de 43 anos, deve ser indiciado por homicídio culposo.

 

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O exame de balística foi feito a partir da comparação entre a bala tirada do corpo de vítima e o revólver usado na perseguição policial pelos guardas civis de São Caetano. A adolescente foi atingida por uma bala perdida durante uma perseguição policial. 

 

Carro da Guarda Civil de São Caetano usado na perseguição parado em Heliópolis após o tiroteio

 

Segundo o delegado Gilmar Contrera, titular do 95º Distrito Policial, Estevam deve se apresentar na sexta-feira, 11, na delegacia. "Ele deve comparecer ao DP para formalizar o inquérito e será indiciado por homicídio culposo" - quando não há intenção de matar.

 

Os guardas civis envolvidos no caso, Edson Damião Estevam, Luziel Pereira da Costa e Vicente Pereira Passos, foram afastados das funções e um processo administrativo foi aberto para apurar o tiroteio que causou a morte da jovem. Os três guardas tiveram as armas apreendidas para perícia. Os GCMs afirmaram que perseguiam um grupo que havia roubado um carro.

 

Por causa da morte de Ana Cristina, os moradores fizeram protestos, ateando fogo em carros, ônibus e depredando outros veículos. A adolescente voltava do colégio quando foi atingida pelo disparo. O namorado dela disse que Ana Cristina iria sair de São Paulo para viver com ele em Carapicuíba, na Grande São Paulo.

 

Segundo a PM, o segundo protesto feito por alguns moradores do local teria uma recompensa: alguém distribuiu avisos que os participantes iriam receber uma cesta básica caso colaborassem. A PM reforçou o policiamento no local e, durante o protesto, 21 pessoas envolvidas foram presas.

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