Bala perdida de policial mata vendedor em casa

Ele estava na janela e falava ao telefone quando foi atingido por tiro de PM que perseguia ladrão de carro; crime ocorreu na zona norte da capital

WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

05 de fevereiro de 2013 | 02h03

O policial militar Sebastião Venâncio Neto, de 30 anos, foi preso em flagrante depois de ter matado o vendedor Flávio Roberto das Neves, de 37 anos, com uma bala perdida, anteontem, no Jardim Hebron, na zona norte de São Paulo. O soldado disparou para o alto durante uma perseguição e atingiu a testa da vítima, que falava ao telefone na janela de casa. O caso é investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

Segundo o diretor da Divisão de Homicídios do DHPP, Itagiba Antonio Vieira Franco, o soldado foi autuado em flagrante por homicídio com dolo eventual (quando se assume o risco de matar). "Logicamente, pode ter um entendimento totalmente diferente no Fórum", afirmou.

O delegado disse que, no início, ninguém sabia informar de onde havia partido o tiro que matou o vendedor. Uma testemunha que viu o PM disparando para o alto duas vezes desconfiou da situação.

Franco afirmou que foi ouvida também a mulher da vítima. Para o delegado, não há dúvidas de que o tiro partiu da arma do PM e será necessário apenas aguardar os laudos periciais para concluir o inquérito. "Foi uma fatalidade", afirmou.

Venâncio Neto, que está na corporação há dez anos e trabalha no 43.º BPM, não quis se pronunciar. "Ele manifestou o desejo de falar apenas em juízo", disse Franco. O PM foi levado para o Presídio Militar Romão Gomes, também na zona norte.

A polícia apurou que ele e um colega perseguiam suspeitos em um Vectra que tinha sido roubado em Guarulhos, na Região Metropolitana de São Paulo. Marcos Vinícius Silva, de 20 anos, ficou ferido durante a perseguição e socorrido foi levado ao Pronto-Socorro do Jaçanã, também na zona norte, onde foi reconhecido pela vítima como autor do roubo. O comparsa dele conseguiu fugir.

Revolta. Segundo a prima do vendedor, a enfermeira Kelly Karina de Azevedo, de 35 anos, Neves deveria estar na festa de outro primo na hora do crime. Ela está revoltada com o homicídio. "Até quando vai esse despreparo dos policiais?" O cunhado da vítima, um gesseiro de 35 anos que não quis divulgar o nome, também demonstrou revolta. "Não existe tiro de alerta. Quando disparou ele assumiu o risco de matar." Segundo testemunhas, quem atirou foi o condutor da viatura, sem sair do veículo.

Um dos melhores amigos de Neves, um segurança de 34 anos, disse que o rapaz era "brincalhão". "Trabalhava com a minha mulher e sempre dava balinha dizendo que era para adoçar a vida. Agora ele é só um número nas estatísticas." Segundo a PM, o caso é investigada pela corregedoria da corporação e pelas Polícias Civil e Científica.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.