Hélvio Romero/AE
Hélvio Romero/AE

Baixinhos ganham espaço como seguranças

Com agilidade e conhecimento, eles já desbancam grandões na disputa por vagas

Márcio Pinho, O Estado de S.Paulo

08 Maio 2011 | 00h00

Brutamontes, guarda-roupa, leão de chácara e armário são apelidos que o segurança Valdeci Gomes, de 36 anos, só viu seus colegas receberem. Do "alto" de seu 1,69 metro, Gomes representa uma categoria para a qual "tamanho nem sempre é documento" e que tenta quebrar o estereótipo do segurança "grandão e fortão". Para eles, o mais importante é a capacidade de ação e o conhecimento dos procedimentos.

Desde que foi retirado de uma fila de emprego nos anos 1990, desclassificado antes mesmo da entrevista por não se encaixar no "perfil esperado", Gomes vê a profissão mudar. Os magros e baixos, que antes tinham mais chance apenas como porteiros, ganham espaço conforme a concepção dos patrões muda e o mercado se expande. Hoje, qualquer condomínio ou empresa de médio porte tem vigilantes. "É um mito que está caindo", afirma Gomes.

Empregado em uma empresa que faz a segurança de um condomínio de luxo na zona sul de São Paulo, o vigilante afirma que o tamanho nunca afetou seu trabalho. Nem mesmo quando fazia a segurança em uma casa noturna e teve de usar a força para tirar de uma briga um pitboy que era o dobro dele. "O rapaz era grande. Mas cheguei já imobilizando o braço por trás e ele sossegou." Foi uma das poucas vezes em que o cearense praticante de caratê teve de usar a força. "O vigilante tem de saber dialogar."

Para Eduardo de Pinho Freire, diretor da Yamam Segurança Patrimonial, "não adianta" colocar vigia de 2 metros se o local não tiver normas e procedimentos de segurança. "É melhor colocar um boneco." Segundo Freire, o veto aos baixinhos ainda acontece, especialmente por empresas que não têm departamentos de segurança. Síndicos também costumam fazer questionamentos, como "vou deixar o prédio na mão desse magrelo?".

Ele admite, porém, que para determinadas funções o porte físico é importante. É o caso da segurança pessoal de alguém que fica em contato com multidões. Esses profissionais, que aliam o tamanho à capacidade de ação, são os mais valorizados. Recebem propostas e abrem vagas para outros nesse crescente mercado, cujo piso em São Paulo - de R$ 964 - não permite que a empresa imponha muitas exigências para contratar.

Baixo. O vigilante Wagner dos Santos Lopes, de 30 anos e 1,72 metro, diz que não precisa usar de "guarda-costa" o colega de trabalho Hernanes Ramos, de 1,95 metro de altura e quase isso de largura, para executar sua função. Vigilante de um edifício na zona oeste, Hernanes apoia a ideia, mas garante: "Imponho respeito. O pessoal fica esperto quando me vê."

Requisitos. Segundo Daniel de Barros Ardito, gerente de Operações do Grupo GP - Guarda Patrimonial, o importante é a proatividade do funcionário. Distinguir um cenário de risco e antecipar uma ação são requisitos considerados fundamentais pelo gerente. Em um condomínio, o profissional tem de, por exemplo, ser capaz de observar se alguém passa seguidas vezes em um carro olhando em direção ao local.

A GP trabalha primordialmente com funcionários altos, mas diz não ter preconceito com os baixos e procura observar a capacidade do profissional. O preconceito, porém, já apareceu por parte de contratantes. Um vigilante de 1,77 metro foi vetado.

Números e medidas

1,75 metro é a média de altura masculina no Estado de SP, segundo o IBGE

1,80 metro costuma ser a altura mínima exigida nos anúncios de emprego

40 mil seguranças trabalham regularizados na capital paulista

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