Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Baixada Santista e interior de SP têm onda de golpes com uso do Pix

Relatos de ocorrências multiplicaram nos últimos dias, inclusive com uso do WhatsApp

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2021 | 13h00

SOROCABA - A Baixada Santista vive uma onda de ocorrências de golpes com o uso da plataforma Pix de pagamentos instantâneos. Em Santos, a Polícia Civil investiga o caso de uma idosa de 78 anos que já perdeu mais de R$ 30 mil após ser vítima de um golpe. O prejuízo pode ser ainda maior, pois apareceram faturas de compras feitas pelos golpistas com uso de seus dados bancários. Os criminosos se passaram por funcionários de sua agência e informaram à mulher uma suposta tentativa de invadir sua conta bancária. A aposentada foi convencida de que precisaria mudar a senha e adotar outras medidas de segurança.

A idosa procurou a agência bancária e recebeu a confirmação de que, de fato, houve uma tentativa de acesso à sua conta em 17 de julho. Assim que saiu do banco, a suposta funcionária voltou a falar com ela pelo celular e a orientou sobre como proceder para recadastrar o Pix. A aposentada descobriu que tinha caído em um golpe quando tentou usar o cartão para pagar a compra de remédios em uma farmácia e estava sem saldo.

Quando abriu o aplicativo, ela viu que havia sido feita uma transferência de R$ 24,7 mil para outra conta, via Pix. Os criminosos também usaram cerca de R$ 6 mil de seu saldo do cheque especial. Ela acredita que a falsa bancária obteve informações para acessar outros serviços de sua conta, pois já recebeu faturas referentes a compras que não fez. A aposentada entrou com reclamação junto ao banco e ainda aguarda a decisão. O caso está sendo investigado pelo 3º Distrito da Polícia Civil de Santos.

No último dia 14, uma mulher de 54 anos teve o celular roubado em Guarujá e bandidos fizeram diversas transferências via Pix que totalizaram R$ 8,8 mil. A vítima foi abordada por dois criminosos que estavam em uma bicicleta. No dia seguinte, ela se dirigiu a um caixa eletrônico e constatou que os criminosos realizaram quatro operações via Pix e ainda fizeram o pagamento de um título, totalizando um desvio de R$ 8,8 mil. O caso foi registrado na delegacia do município de Guarujá.

Já no último dia 4, uma mulher de 53 anos, moradora de Praia Grande, teve um prejuízo de R$ 4 mil ao transferir, via Pix, o dinheiro para criminosos que se passaram por seu filho. Os golpistas clonaram o WhatsApp do filho e pediram que ela transferisse o dinheiro, pois estava com problema em seu aplicativo do banco. A vítima só desconfiou do golpe e procurou a polícia quando os bandidos pediram uma nova transferência em valor ainda maior. Um mês antes, outro morador da cidade do litoral tinha transferido pelo aplicativo R$ 9,1 mil para um primo que, supostamente, teria sofrido um acidente de carro.

Interior

Em Sorocaba, uma jovem de 24 anos foi vítima de golpe após anunciar na internet o desaparecimento de um gato de estimação. Uma mulher entrou em contato, disse que sabia onde estava o animal e pediu R$ 100 para fazer o resgate do felino da casa em que era mantido em cativeiro. A jovem fez a transferência, mas a pessoa voltou a fazer contato dizendo que o homem só o entregaria se recebesse mais R$ 100 mil. Ela fez novo pagamento por Pix e, logo após, a pessoa bloqueou o contato. O número usado para o golpe era do Rio de Janeiro e a chave Pix era de um e-mail falso.

O mesmo golpe foi aplicado em várias cidades do interior. Em Araraquara, um homem de 27 anos recebeu uma mensagem de celular da irmã dizendo que precisava fazer alguns pagamentos e seu Pix não estava funcionando. Ele não teve dúvida em fazer quatro transferências que totalizaram R$ 5,8 mil. O WhatsApp dela estava clonado. Em Indaiatuba, uma empresária caiu no golpe do cartão de crédito com desconto. Ela recebeu uma mensagem via SMS para aderir ao pagamento da fatura via Pix, com desconto de 40%. O site para o qual havia sido direcionado para pagar a conta era falso.

Golpes

Entre os meios usados pelos bandidos está o WhatsApp. Os criminosos enviam uma mensagem pelo aplicativo fingindo ser de empresas em que a vítima tem cadastro. Eles solicitam o código de segurança, que já foi enviado por SMS pelo aplicativo, afirmando se tratar de atualização ou confirmação de cadastro. Com o código, os bandidos conseguem replicar a conta de WhastApp em outro celular e enviam mensagens para os contatos da pessoa, fazendo se passar por elas e pedindo transferência de dinheiro via Pix.

Em outra fraude, o criminoso escolhe uma vítima, pega sua foto em redes sociais e manda mensagens para amigos e familiares, alegando que teve de trocar o número devido a algum problema, como um assalto. A partir daí, pede transferência via Pix, dizendo estar em alguma situação de emergência. Outros golpes são os do falso bancário e falsas centrais telefônicas de bancos. Passando-se por funcionário da agência, o criminoso oferece ajuda para que o cliente cadastre a chave Pix, ou ainda diz que o usuário precisa testar o sistema de pagamentos instantâneos para regularizar o cadastro e o induz a fazer transferências.

Mais de cem criminosos foram presos, diz secretaria

A Secretaria da Segurança Pública informou que, de janeiro a julho deste ano, foram registrados 206 boletins de ocorrência de sequestro relâmpago no estado de São Paulo, um aumento de 39,1% em relação ao ano passado, quando foram 148. No sequestro relâmpago, as vítimas são levadas em seus próprios carros ou nos veículos dos criminosos e obrigadas a fazer transferências, via Pix, para as contas dos suspeitos. A vítima só é liberada depois que o dinheiro é sacado pelos bandidos. A pasta não tem de forma discriminada nas estatísticas criminais os casos de estelionato (crime não violento, como a clonagem de WhatsApp) aplicados com o uso do Pix.  

Conforme a SSP, de janeiro até esta quarta-feira, 25, as forças de segurança prenderam mais de 100 criminosos, identificaram outros 74 e apreenderam quatro menores de idade envolvidos com a modalidade criminosa do sequestro relâmpago. A Polícia Civil recomenda que o usuário da tecnologia (Pix) estabeleça um limite em sua conta junto ao banco. Caso tenha sido vítima, precisa reunir toda documentação da transação, como extratos e comprovantes, registrar um boletim de ocorrência em qualquer distrito policial ou na delegacia eletrônica, e cientificar o banco para eventual ressarcimento, após análise dos documentos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.