Baixa umidade e calor continuam nos próximos dias em SP

Além de quente, clima também está muito seco, com umidade relativa do ar abaixo dos 20%

Amanda Valeri, da Agência Estado,

15 de agosto de 2007 | 17h47

A presença de uma massa de ar seco e estável em São Paulo, que mantém o tempo aberto e ensolarado, fez com que a umidade relativa do ar caísse, ficando abaixo dos 20% na maioria das regiões da cidade na tarde desta quarta-feira, 15, o que é considerado estado de alerta pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Isso representa incômodo, principalmente para quem vive na capital paulista. De acordo com o último boletim divulgado pela Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), das 21 estações da capital e da Região Metropolitana de São Paulo, apenas oito regiões registraram qualidade do ar "boa". Isso ocorreu devido às condições meteorológicas desfavoráveis à dispersão dos poluentes como monóxido e ozônio. A situação crítica também foi observada nas estações do Centro de Gerenciamento de Emergência (CGE) da Prefeitura de São Paulo. Das 20 estações do CGE, 14 registraram umidade relativa do ar abaixo dos 20% na tarde desta quarta. As estações Capela do Socorro, na zona sul, e Ermelino Matarazzo, zona leste, chegaram a ter 14% de umidade relativa. Segundo o CGE, as temperaturas continuarão altas por causa da massa de ar quente e seco que se instalou em São Paulo e que está impedindo a chegada de uma frente fria. "Ainda não temos previsão da chegada de uma massa de ar frio que pode trazer chuvas ao Estado. Portanto, o tempo seguirá quente e seco e os índices de umidade do ar continuarão baixos", explica o meteorologista da CGE, Lucyara Rodrigues. Um dos motivos pela falta de chuvas,segundo Lucyara, é a influência do fenômeno La Niña que esfria as águas superficiais do Oceano Pacífico e desvia as frentes frias que provocam chuvas para o Oceano Atlântico quando chegam ao Sul do País. "Assim, as outras regiões ficam secas", afirma. "A tendência é que o tempo continue quente durante o dia e, à noite, com o céu mais aberto, observamos uma queda significativa da temperatura", acrescenta a meteorologista do CGE. Problemas respiratórios Com algumas semanas sem chuva forte, a umidade relativa do ar desabou e as pessoas com problemas respiratórios lotaram os hospitais da capital paulista. Além da baixa umidade do ar, outros fatores ajudam a agravar os problemas de saúde nessa época: "A mudança de temperatura, o aumento da poluição e a inversão térmica, juntos com a baixa umidade, provocam o aumento dos problemas respiratórios e, assim, o movimento nos prontos-socorros", afirma o pneumologista Rafael Stelmach, presidente da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia. Os sintomas mais comuns são irritações nos olhos, garganta e narinas, ressecamento da pele, tosse e desconforto. "Há uma agressão físico-química, que diminui a defesa do organismo e, com isso, abre as portas para as infecções como gripes e conseqüências mais graves como a bronquite, asma, rinite e sinusite", explica o pneumologista. Ele alerta que as pessoas portadoras de complicações respiratórias se estiverem bem medicas, não sofrerão com essas intervenções. "Elas (portadoras de doenças) correm sim mais riscos de complicações, mas com atenção e medicação adequada não serão agredidas bruscamente nessa época", afirma o presidente da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia.

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