Bairros mais ricos fogem da média da cidade

Enquanto o Jaguaré, típico bairro de classe média, lidera o ranking dos mais parecidos com a média de São Paulo, distritos nobres e ricos ocupam a outra ponta dessa lista. Com renda digna de país europeu e população mais branca, mais feminina e mais envelhecida, as regiões mais diferentes da média paulistana são Morumbi, Moema e Alto de Pinheiros, segundo o levantamento feito pela reportagem do Estado nos dados do IBGE.

/ A. F., N. C. e R. B., O Estado de S.Paulo

20 Novembro 2011 | 03h03

O indicador mais discrepante é a renda. Um domicílio paulistano típico possui renda mensal de R$ 3,5 mil. Esse número, porém, pode chegar a ser quase quatro vezes maior em bairros como o Morumbi, na zona sul paulistana, onde cada residência reúne um ganho médio de R$ 12,3 mil por mês, maior que uma casa média na Dinamarca, por exemplo.

A renda domiciliar média dos 49 mil moradores do Morumbi é a maior coletada pelo IBGE em toda a cidade. Uma das explicações é a de que, na divisão oficial de bairros, a Favela de Paraisópolis não fica no distrito do Morumbi, mas sim em Vila Andrade, o que contribui para que suba no ranking. Apenas uma pequena favela de 4 mil habitantes está compreendida nesse distrito, a Real Parque.

A diferença entre as raças também é grande e exemplo da enorme desigualdade social brasileira em relação à cor da pele. Moema, o segundo distrito mais diferente da média da capital, na zona sul, é também o mais branco: 90,6% dos seus 71,4 mil habitantes se declararam dessa cor e apenas 1% afirmou ser negro. São Paulo tem em média 60,6% dos moradores brancos e 6,5% que se declararam negros.

Mais feminino. Outras características sociais que variam com a renda também explicitam a diferença entre os bairros mais luxuosos e a média da cidade. Uma delas é o sexo dos moradores. No Brasil, de maneira geral, quanto mais rica é determinada localidade, mais feminina ela é. Em São Paulo não é diferente. No Alto de Pinheiros, na zona oeste da capital, 55,7% dos moradores são mulheres. A média paulistana é de 52,6%.

O mesmo ocorre em relação às faixas etárias predominantes na população. O Alto de Pinheiros possui proporcionalmente 11% menos crianças e adolescentes do que o resto da cidade e 7,4% a mais de idosos. A situação é parecida à de outros distritos ricos, como o Jardim Paulista, na zona oeste: lá existem 10% de idosos a mais em relação à média da capital.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.