Bairros da zona oeste concentram lançamentos

Maioria dos projetos 'autorais' está em Vila Madalena, Pinheiros, Alto da Lapa e Sumaré

O Estado de S.Paulo

27 Janeiro 2013 | 02h05

Tradicional reduto de boêmios, a Vila Madalena também é hoje o berço da chamada arquitetura autoral. Ao lado de bairros nobres da zona oeste, como Pinheiros, Alto da Lapa e Sumaré, a área concentra a maioria dos lançamentos que vendem design vertical em São Paulo.

São projetos residenciais e comerciais que primam por um visual exclusivo, em contraste ao modelo padronizado de cor e planta que dominou o mercado imobiliário paulistano na década passada.

Nas construções de grife, fachadas quadradas, de cores claras e sacadas do tipo "gourmet" perdem espaço para laterais irregulares, coloridas, repletas de janelões e espaços integrados.

Na busca por produzir arquitetura de referência, terrenos pequenos ou estreitos não limitam a arte. Pelo contrário, promovem propostas inusitadas e surpreendentes. Se o objetivo não é produzir imóveis em série, por que não fazer uma torre com apenas seis apartamentos ou então uma torre composta por casas, lofts e coberturas?

Nesse mercado, a falta de padrão é o maior atrativo. Há projetos que oferecem imóveis de 50 metros quadrados e outros com mais de 100 m² no mesmo prédio. Mas, independentemente do tamanho, o preço é sempre salgado. O valor do metro quadrado varia de R$ 10 mil a R$ 14 mil.

Amante da arquitetura de vanguarda, o administrador de empresas Otávio Zarvos se tornou um dos maiores representantes desse nicho. Fundador e proprietário da galeria Idea!Zarvos - incorporadora com o maior número de prédios estrelados -, o empresário diz que o investimento não vale a pena só pelo retorno financeiro, mas pelo legado que deixa à cidade.

"Aos poucos, as pessoas estão exigindo um design diferenciado também em empreendimentos imobiliários. É uma tendência aqui, que já ocorre há décadas nos Estados Unidos e em países da Europa. Acredito que seja um processo natural: conforme as pessoas evoluem, começam a exigir uma estética mais apurada", diz Zarvos. Segundo ele, o "boom imobiliário" também colaborou para o fenômeno.

Prêmio. Criada há 8 anos, a galeria é responsável por alguns projetos premiados da cidade, como o 360° de Isay Weinfeld. Em construção no Alto da Lapa, o prédio que simula um conjunto de casas suspensas deu ao arquiteto o maior prêmio da arquitetura mundial: o Future Projetcs Awards, concedido pela revista inglesa Architectural Review, que todos os anos destaca as ideias mais inovadoras do setor. Weinfeld foi o vencedor entre todas as categorias.

O arquiteto também assina lançamentos na Vila Madalena, região que funciona como um berço de boas ideias.

Bem perto dali, o residencial Mondrian, em Perdizes, promete despontar como referência para a zona oeste. Projetado pela badalada arquiteta Patricia Anastassiadis, o empreendimento terá espaços de diferentes metragens, andares desiguais e dois conceitos de venda. Além de apartamentos, as incorporadoras MDL Realty e Alfa Realty oferecem "penthouses", unidades diferenciadas, sem divisórias, que privilegiam espaços amplos e terraços ao ar livre.

Avaliados em R$ 3 milhões, os apartamentos do Mondrian devem ser entregues em janeiro de 2016. A química Ana Lúcia, de 46 anos, que pediu para não ter seu sobrenome divulgado, será uma das futuras moradoras do prédio. A compra, segundo ela, levou em consideração dois fatores: a localização e o design.

"Será um prazer morar em uma obra como essa, de vanguarda. Trata-se de um produto exclusivo, sem igual no mercado. No futuro, tenho certeza de que o investimento será recuperado em uma possível revenda", afirmou.

Locação. De acordo com Otávio Zarvos, o valor da locação também compensa, especialmente em projetos comerciais. "A procura por empreendimentos desse tipo é grande. Normalmente, vendemos de 60% a 70% das unidades nos primeiros seis meses."

Mas quem compra tem de escolher entre estilo e lazer. Isso porque, diferentemente dos condomínios de massa, com quatro, cinco torres, a maioria das propostas não dispõe de muitos itens de diversão.

Geralmente, as áreas comuns são equipadas com piscinas, biblioteca e academias. / ADRIANA FERRAZ

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