Bairros da zona leste são os campeões em roubos de veículos

Entre os dez que lideram o ranking, cinco ficam na região: em primeiro lugar está São Mateus, com 320 casos no trimestre

Bruno Paes Manso e Marcelo Godoy, O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2011 | 00h00

O mapa da criminalidade da cidade de São Paulo mostra que os ladrões de veículos na capital con centram sua ação na zona leste. Entre os dez bairros que lideram o ranking do município, cinco são dessa região, entre eles o primeiro colocado (São Mateus, com 320 casos no trimestre), o quarto (Vila Rica) e o quinto (Parque São Lucas) na listagem.

O segundo lugar do ranking ficou com o Jabaquara (214 casos) e o terceiro foi ocupado pelo Campo Limpo, ambos na zona sul, com apenas um caso a menos (213). Os dados mostram ainda que esse tipo de delito, antes concentrado nos bairros nobres da cidade, transferiu-se para regiões mais periféricas. De fato, depois do Jabaquara, é preciso esperar até o décimo lugar do ranking para encontrar um bairro como a Vila Clementino - com 169 roubos de veículos.

Além dos números de cada bairro da capital paulista, a Secretaria de Segurança Pública também divulgou o balanço da cidade no primeiro trimestre do ano. Se o de outros delitos foi positivo, o de roubos de veículos mostrou um aumento de 5,1% dos casos em comparação com o mesmo período do ano passado.

Tecnologia. Desde 2005, essa foi a segunda vez que esse delito aumentou no começo do ano. No período, há, no entanto, uma queda de 16% dos casos. Para o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Álvaro Camilo, o aumento da frota de veículos é um dos fatores que determinaram o crescimento desse tipo de crime - neste ano, São Paulo ultrapassou a barreira dos 7 milhões de veículos.

Camilo aposta na tecnologia para combater os ladrões. Trata-se de leitores óticos que a Prefeitura deve acoplar às câmeras espalhadas pelas ruas para o controle do tráfego. Elas serão capazes de identificar carros roubados e furtados, uma informação que será transmitida online para a Polícia Militar. "A tecnologia será uma arma importante."

Além dos leitores óticos, Camilo aposta no "GPS da criminalidade", que vai equipar os carros da PM na capital. A partir do próximo mês, os carros da PM começarão a circular com o aparelho que vai informar ao policial em tempo real se ele está passando por uma área onde foi registrado algum tipo de crime.

A ideia é aumentar a eficiência do policiamento ostensivo, distribuindo melhor os efetivos pelas ruas da cidade, aumentando o cerco aos assaltantes.

Os furtos de veículos - quando o bandido age sem violência contra a vítima - também cresceram na cidade de São Paulo. De acordo com a Secretaria da Segurança, eles aumentaram 4,8% no trimestre. A exemplo dos roubos, a evolução dos casos entre 2005 e 2011 mostra uma queda de 28% na cidade.

Ainda é cedo para saber se esses números representam uma inversão na tendência de queda desses dois crimes observada nos últimos dois anos. Para os especialistas em criminalidade, antes será necessário observar o comportamento desses delitos nos dois próximos trimestres.

Interior. No interior do Estado, os maiores aumentos de roubos de veículos ocorreram nas regiões de Ribeirão Preto (48%) e Bauru (43%). O total de furto de veículos no Estado aumentou 7,7%. Para o delegado-geral da Polícia Civil, Marcos Carneiro Lima, mesmo com o aumento dos roubos de veículos, os resultados das estatísticas de criminalidade no trimestre foram "extremamente positivos".

O delegado-geral destacou a ação do Departamento de Combate ao Crime Organizado (Deic) no aumento do número de prisões em 6% ocorrido no Estado. Foram 31.787 prisões feitas pelas Polícias Civil e Militar no Estado, 1.802 a mais do que no primeiro trimestre de 2010.

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