Bairro criado há 30 anos sofre com lixo e esgoto

O Bolsão 8, área do entorno do mangue habitada desde a década de 1980, convive com o desrespeito à natureza. Ele foi criado para abrigar as famílias da Vila Parisi, que ficava no polígono industrial de Cubatão, antes conhecido como Vale da Morte.

Márcio Pinho, O Estado de S.Paulo

06 Fevereiro 2011 | 00h00

Mas a degradação também chegou ao novo bairro. Moradores relatam que é jogado de tudo no mangue: lixo doméstico, cachorro morto e até restos de carros desmanchados.

Para o motorista José Gimero, de 54 anos, o mangue virou área de descarte irregular. "Se a coleta já passou, tem morador que não pensa duas vezes em jogar no mar. O problema principal não é o local, mas o ser humano, que não respeita o que Deus deixou."

O comerciante Genival da Silva, de 43 anos, diz acreditar que a tendência é que os problemas se repitam na área dos novos conjuntos. "Os cuidados do poder público com essa região aqui são poucos. Se não tiver um trabalho com a população, o meio ambiente vai sofrer cada vez mais." Genival trabalha ao lado de um córrego onde o esgoto é despejado e o odor espanta os clientes. Afirma que, quando chegou ali, 15 anos atrás, havia um riacho com peixes.

A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) afirma que o Programa Onda Limpa, de coleta e tratamento de esgoto, já existe no bairro e está em fase de ligações domiciliares.

Justificativa. O projeto desenvolvido no local tem todas as licenças ambientais e prevê um sistema de esgoto adequado para 100% das residências, de acordo com o coronel Elizeu Eclair Teixeira Borges, ex-comandante-geral da Polícia Militar e coordenador do Programa de Recuperação da Serra do Mar. Após ser coletado, o esgoto será levado a uma estação de tratamento.

A escolha da área aproveitou o fato de o terreno estar ocioso e, segundo o Estado, ainda evita que invasões que já se formavam na área avancem. Ele minimiza as críticas de cunho ambiental ao garantir que a ocupação será feita de forma "legal e ordenada".

Outro aspecto apontado pelo coronel foi a necessidade de convencer os moradores a deixar as áreas de risco, mantendo-os próximos de seus vínculos familiares, amigos e trabalho. "A adesão das famílias para as unidades disponíveis em outras cidades foi menor do que a oferta", afirmou Teixeira Borges.

A falta de terrenos disponíveis no litoral também é outro problema apontado. Em Cubatão, a maioria das áreas não urbanizadas é de preservação ambiental ou industrial. O governo do Estado prevê a presença de agentes sociais para ajudar na adaptação das famílias retiradas das encostas e a criação de um parque linear na margem do mangue para evitar a ocupação.

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