BAILE FUNK SERÁ CASO PARA CULTURA

Vereadores criticam posição de Haddad

O Estado de S.Paulo

16 Janeiro 2013 | 02h02

Combater os bailes funks na periferia da cidade é um dos objetivos da chamada "bancada da bala" da Câmara Municipal, formada por ex-policiais militares eleitos para o cargo de vereador.

Se depender do prefeito Fernando Haddad, porém, o problema provocado pelo som alto dos carros e pela bagunça nas ruas dos bairros da periferia da cidade não vai ser resolvido só com repressão.

"Não vamos tratar desse assunto a partir de uma visão exclusivamente policial. Temos de dialogar com a juventude que está ansiosa por condições adequadas para que possa usufruir da cidade", disse o prefeito. Haddad incumbiu o secretário da Cultura, Juca Ferreira, de "buscar a compreensão desse fenômeno para oferecer condições adequadas para que os jovens possam usufruir da cidade".

Ex-comandante da Polícia Militar, o vereador Coronel Camilo (PSD) discorda. "Quando um jovem aumenta o volume, isso é só uma infração, é caso de Psiu. Mas na sequência o que observamos nesses eventos são problemas da polícia, como o consumo de bebidas entre menores, uso de drogas, sexo também entre menores" disse. "Eu acho que precisamos encontrar um espaço público para que os jovens possam fazer esse tipo de festa", completou.

Na gestão de Gilberto Kassab (PSD), algumas subprefeituras entraram em guerra contra os bailes funks. Um dos locais onde as festas foram mais combatidas foi a região do M'Boi Mirim, na zona sul. A PM mapeou pelo menos 300 pancadões semanais na cidade. Alguns deles são regados a drogas e músicas com apologia ao crime organizado.

Antes de assumir, até o líder do governo na Câmara, o vereador Arselino Tatto, afirmou que era necessário reprimir esse tipo de festa. "Precisamos mudar o Psiu (Programa de Silêncio Urbano) para acionar a Polícia Militar para coibir os bailes funks nas madrugadas", afirmou ao Estado em dezembro.

Combater perturbação do sossego é prioridade entre os vereadores. De 34 eleitos que responderam a enquete da reportagem no fim do ano passado, pelo menos dez se disseram preocupados em reforçar o Psiu na cidade, formando uma espécie de "bancada do silêncio". / A.R e DIEGO ZANCHETTA

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