Bafômetro ainda é pouco usado, aponta pesquisa

Estudo do governo federal nas 27 capitais brasileiras aponta que só 9,2% dos motoristas abordados já tinham feito o teste

Rafael Moraes Moura, O Estadao de S.Paulo

23 Março 2010 | 00h00

BRASÍLIA

Pesquisa do governo federal em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) aponta que o bafômetro é pouco utilizado no País. Em um dos estudos foram levantados números que demonstram a carência de fiscalização: dos motoristas de carro submetidos ao bafômetro por policiais rodoviários, apenas 9,2% disseram que já tinham passado pelo aparelho. Entre os motoqueiros, o número foi ainda menor: 8,3%.

As porcentagens aumentaram quando os entrevistados eram motoristas profissionais: 20% para caminhões e 20,9% para ônibus. Os condutores foram abordados em rodovias das 27 capitais brasileiras, sempre às sextas e aos sábados, das 12h às 24h. Ao conversarem com um policial, eram convidados a participar do estudo com membros da UFRGS ? a adesão foi de 97,4%.

"Quanto mais bafômetro é feito, menos impacto do álcool no trânsito. Em alguns países a média com que um motorista vai passar pelo teste ao longo de um ano é de 14 vezes, enquanto no nosso País isso ainda não é frequente", analisa o psiquiatra Flávio Pechansky, coordenador do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Trânsito e Álcool da UFRGS. "É preciso que as ações de repressão a álcool e drogas no trânsito sejam constantes e não apenas relacionadas a eventos. Quando isso se transformar numa atividade regular, provavelmente os números de acidentes de trânsito vão baixar."

Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 35 mil pessoas morreram em 2004 em decorrência de acidentes de trânsito no Brasil. As vítimas mais frequentes são jovens do sexo masculino.

Transtornos. Em outro estudo, os pesquisadores analisaram o efeito do álcool e outras substâncias psicoativas, tendo como referência os casos de transtornos psiquiátricos. Entre os motoristas que bebem, 24,5% declararam sofrer dependência e abuso de substâncias, contra 2,7% entre os que não bebem. Quando se trata de depressão, as diferenças continuam: 22,8% e 5,7%, respectivamente.

"Não sabemos se o álcool é causa ou consequência disso, mas motorista com problemas de bebida que dirige e sofre transtornos psiquiátricos soma riscos", diz Pechansky.

Os pesquisadores também fizeram estudos específicos em Porto Alegre. Os custos de saúde envolvidos em acidentes de trânsito na cidade chegam a R$ 66,4 milhões, dos quais 47,3% seriam atribuídos ao abuso de álcool. "O motorista brasileiro ainda tem com o álcool uma relação mais livre do que deveria", conclui o psiquiatra.

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