Babá condenada por torturar criança é presa após 7 anos

Foragida desde 2010, mulher foi encontrada no interior do Paraná e agora terá de cumprir 5 anos e 7 meses de prisão

MARCELO GOMES / RIO, O Estado de S.Paulo

09 de junho de 2012 | 03h04

Condenada pela Justiça do Rio a 5 anos e 7 meses de prisão por tortura, a babá Sílvia dos Santos, de 42 anos, foi presa na quarta-feira, no Paraná, pela Polícia Civil fluminense. Sílvia foi condenada em primeira instância em 2008, acusada de torturar o menino Pedro Pinheiro Fabri, portador de deficiência física e mental - os maus-tratos foram registrados por uma câmera escondida instalada pelos pais e chocaram o País na época. Ela estava foragida desde 2010.

Pedro morreu em março de 2006, aos 6 anos, em decorrência de uma lesão no pâncreas. O caso teve grande repercussão. A condenação de Sílvia, confirmada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) após vários recursos, transitou em julgado em 2010 - ano em que a babá desapareceu.

As agressões ocorreram em 2005, durante os meses em que Sílvia trabalhou como babá na casa da família, no bairro da Tijuca, zona norte do Rio. Desconfiados dos hematomas no corpo de Pedro, os pais instalaram uma câmera escondida no alto da estante da sala, que flagrou, em oito horas de gravações, a babá batendo a cabeça do menino no chão, sufocando-o com uma fralda e forçando-o a engolir o próprio vômito.

A babá nega que a morte do menino tenha sido causada por ela. "Sou inocente. Ele sentia falta de ar e já caía da cadeira. Nunca usei o pano para sufocá-lo. Eu apenas limpava o vômito. Sempre gostei muito dele", alegou Sílvia, ontem, na sede da Chefia de Polícia Civil do Rio. Ela foi apresentada à imprensa antes de ser encaminhada a um presídio feminino em Bangu, bairro na zona oeste da capital fluminense.

Paradeiro. Sílvia foi localizada em Matinhos, interior do Paraná, por policiais da Delegacia de Imbariê, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. A investigação começou há três meses, após a delegacia receber uma informação sobre o possível paradeiro da babá, nascida e criada em Caxias. Ela morava em uma casa simples e de difícil acesso na cidade paranaense com a filha, atualmente com 22 anos, que tem problemas renais e fazia hemodiálise no hospital municipal.

O delegado Ângelo Lages, que chefiou a operação, afirmou que conseguiu encontrar a babá justamente por causa da filha. "Sílvia não foi localizada no endereço que tínhamos. Fomos ao hospital saber se ela havia recebido atendimento recentemente e descobrimos que a filha dela, sim. Por sorte, naquele dia a prefeitura estava fazendo um recadastramento dos pacientes que utilizavam o serviço de transporte e conseguimos o endereço dela atualizado. Quando chegamos à casa, ela se identificou como Renata, mas não adiantou", explicou o delegado.

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