Avô e tia de Isabella depõem na terça; horário não foi definido

Agora, a polícia espera colaboração do pai e da madrasta da menina para fazer a reconstituição do crime

da Redação, estadao.com.br

21 de abril de 2008 | 10h21

Os depoimentos do advogado Antônio Nardoni e da filha dele, Cristiane Nardoni, avô e tia de Isabella Nardoni, foram remarcados para a tarde de terça-feira, 22, na 9ª Delegacia de Polícia (Carandiru), na zona norte de São Paulo. O horário e a ordem dos depoimentos não haviam sido definidos até a manhã desta segunda-feira, 21, segundo a assessoria de imprensa da Secretaria da Segurança Pública (SSP) de São Paulo. VEJA TAMBÉMAvô de Isabella diz que polícia ignora provas importantesFotos do apartamento onde ocorreu o crime  Cronologia e perguntas sem resposta do caso  Tudo o que foi publicado sobre o caso Isabella     Inicialmente os depoimentos do avô paterno e da tia estavam previstos para o sábado, 19, mas por causa do cansaço da família, os advogados e os delegados envolvidos no caso decidiram pelo adiamento. O 9º DP apura a morte da menina, de 5 anos, no dia 29 de março. De acordo com a polícia, Isabella foi agredida e jogada pela janela do apartamento de seu pai, Alexandre Nardoni, no edifício London, na Vila Mazzei, também na Zona Norte de São Paulo. Alexandre e a madrasta de Isabella, Anna Carolina Jatobá, depuseram na sexta-feira (18) e foram indiciados por homicídio qualificado. "Somos inocentes" No domingo, dois dias após terem sido exaustivamente interrogados no 9º DP, pai e madrasta da menina Isabella deram uma entrevista ao 'Fantástico', da Rede Globo. Eles estavam na casa dos pais dela, em Guarulhos. Alexandre e Anna Carolina responderam todas as perguntas da reportagem, segundo a Globo. A única exigência feita foi que a entrevista fosse gravada em DVD e que ficassem com uma cópia. O material apresentado pela emissora aparentava pelo menos três cortes de edição (quando a imagem corta e pula para a seqüência). Eles alegaram inocência repetidas vezes. "Nós somos totalmente inocentes", disse Anna Carolina, chorando, agarrada a um terço na mão esquerda. Por vezes, os dois falaram ao mesmo tempo - Anna Carolina se manifestava enquanto o marido respondia a alguma pergunta. Em alguns momentos, Alexandre desviava o olhar. Anna Carolina, ao contrário, respondia olhando fixamente para o repórter.  Na primeira declaração à imprensa após a morte da menina, em 29 de março, o casal disse que acredita que uma terceira pessoa matou Isabella. Questionada sobre isso, Anna Carolina respondeu, assertiva: "Com certeza." Eles falaram ainda da vida com e sem Isabella e do drama que viveram na cadeia. No início das investigações, a polícia pediu a prisão temporária do casal, que ficou oito dias preso. Anna disse que tem medo de voltar para a cadeia. Sobre a relação com a filha, Alexandre afirmou, pausadamente: "Eu nunca encostei um dedo da minha filha." Anna Carolina Jatobá emendou: "Eu também nunca encostei nela, nunca, nunca na minha vida." Segundo os dois, Isabella nunca deu trabalho para ninguém.  Chorando muito, Anna falou do carinho que Isabella tinha por ela. "Ela fazia um coraçãozinho", disse, formando a imagem com os dedos. "Ela fazia coraçãozinho no vapor do box", disse, contando que tomavam banho juntas. Alexandre disse, pelo menos três vezes, que os cinco (ele, Anna Carolina, Isabella, e os filhos do casal, Cauã e Pietro, de 1 e 3 anos) sempre foram muito unidos. "Ela (Isabella) era tudo pro Cauã e pro Pietro. Ela era a segunda mãe pro Cauã, ele queria ir só com ela", afirmou Alexandre. "Ela estudava com o Pietro na mesma escola. O Cauã trocava a gente para ficar com ela", completou Anna Carolina. "Não temos nem como ir ao cemitério. Não podemos fazer isso. As pessoas estão prejulgando a gente sem nem nos conhecer", disse Alexandre, culpando a mídia pela exposição do caso. "Tinham de conhecer ao menos um pouquinho para fazer qualquer julgamento."  Sobre o relacionamento em família, só falaram de harmonia. "Estávamos sempre brincando. Ela adorava que eu brincasse com ela", disse Anna Carolina."A Isabella sempre chamava Anna de ‘tia Carol’", contou Alexandre. "Quando ela estava em casa, onde um ia, iam todos. Não nos separávamos. A gente se programava em relação a quando ela estaria em casa", contou Anna Carolina. "Isso dói. Isso acaba com a nossa vida. Destruíram nossa vida em segundos", concordaram os dois. "Para a polícia só existia nós dois no apartamento", desabafou Anna Carolina. Questionados sobre o que teria levado alguém a matar Isabella, afirmaram: "É o que a gente se pergunta também. Todos os dias, todas as noites." E Alexandre emendou: "Como alguém podia fazer isso com a Isabella, uma criança dócil, uma criança que sempre estava sorrindo."  "Eu tinha ela como minha filha. Era minha filha postiça", revelou Anna Carolina. A madrasta revelou também que a menina tinha vergonha, mas por duas vezes a chamou de "mamãe". Uma vez, estavam brincando no apartamento e ela teria dito: "Ai, papai, não bate na mamãe." E o casal ainda fez uma revelação: "O sonho dela era morar com a gente." Anna Carolina disse que nunca teve ciúmes da menina.  "Meu amor por ela é inexplicável. Meus filhos são tudo na minha vida. Como posso dizer, se eu pudesse não trabalhava para ficar com eles o tempo todo", contou Alexandre."Estamos pagando por uma coisa que não fizemos", afirmou Anna Carolina. "Eu não consigo explicar o que estão fazendo com a gente", repetiu Alexandre. "Prejulgaram e condenaram, sem ao menos nos conhecerem." Reconstituição A polícia decidiu que não haverá acareação entre Alexandre Nardoni e Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá. Motivo: as respostas dadas às 50 perguntas do interrogatório foram vagas. Eles foram indiciados por homicídio doloso triplamente qualificado (motivo torpe, cruel e sem possibilidade de defesa). Com informações preliminares dos laudos do Instituto de Criminalística (IC) e do Instituto Médico-Legal (IML) - o laudo final só ficou pronto na tarde de sábado -, a polícia já tinha traçado estratégia para que a madrasta de Isabella,  confessasse participação no crime. Nos dias que antecederam o depoimento do casal, os policiais decidiram que iriam dizer a Anna Carolina que ela poderia responder criminalmente apenas por lesão corporal dolosa, e não por homicídio. Isso porque Isabella morreu em decorrência da queda. Para os delegados responsáveis pela investigação, tudo indica que a madrasta agrediu e asfixiou a criança, e Alexandre Nardoni, o pai, jogou a menina pela janela.A estratégia não deu certo. Durante as oito horas que durou o interrogatório de Alexandre, Anna Carolina ficou numa sala da delegacia, acompanhada por um advogado, por seu sogro, Antônio Nardoni, e por um investigador. Chorou o tempo todo. Só se controlou perto das 20 horas. Então, sem se alterar nas cinco horas de interrogatório, Anna permaneceu negando participação na morte de Isabella. Questionada sobre marcas de sangue de Isabella no carro da família, foi taxativa: "Desconheço". Segundo os policias ela estava "muita fria" durante o interrogatório. Sustentou a versão apresentada desde as primeiras horas após o crime, quando foi ouvida no 9º Distrito Policial pela primeira vez.Já o pai chorou uma única vez durante o interrogatório. Foi quando ele começou a ver o álbum de fotografias montado pela delegada-assistente do 9º DP (Carandiru), Renata Helena Pontes. Nele havia fotos de Isabella desde que ela tinha dois meses de idade e termina com a foto do corpo, tirada no Instituto Médico Legal (IML). Terminado o interrogatório, Alexandre foi para a sala do chefe dos investigadores onde Anna Carolina passou a tarde toda. Lá conversou descontraidamente com os policiais e ainda perguntou: "Como é ser policial?". Agora, a polícia planeja fazer a reconstituição do crime e espera contar com a participação do casal, que não é obrigado a isso. Os policiais ainda não decidiram quando, mas consideram provável um pedido de prisão preventiva de Alexandre e Anna Carolina depois que o inquérito policial for relatado à Justiça. Caberá, então, ao Ministério Público Estadual analisar as provas e decidir se vai ou não denunciar o casal pelo assassinato. O juiz também deverá ouvir o promotor antes de decidir se decretará ou não a prisão dos acusados. 

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