Avião vindo de Brasília escapou por pouco da tragédia

Acidente em Congonhas pode ser o maior da história da aviação brasileira

Carlos Marchi, do Estadão,

17 de julho de 2007 | 22h39

O economista Flávio Rebelo, professor da Fundação Getúlio Vargas em São Paulo, vinha de Brasília no vôo JJ-3723, da TAM, já em procedimento final de descida, com o trem de pouso abaixado, quando o avião, instantaneamente, arremeteu. Logo o comandante daria duas explicações bem diferentes. Na primeira, relatou aos passageiros que tivera de abortar o pouso por causa de "um incidente" em Congonhas. Logo depois, abriu o microfone da aeronave para dizer que pousaria no Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, porque a pista de Congonhas "estava escorregadia". Até então, o vôo havia sido muito tranqüilo, mas Rebelo começou a desconfiar de alguma coisa quando desembarcou em meio a um caos, em Cumbica, para onde eram redirecionados, em primeira mão, os vôos que chegavam a Congonhas. Ao passar pela cabine de comando, notou que uma aeromoça chorava - e ficou intrigado, começando a imaginar alguma coisa pior, mas ainda sem relacionar com a arremetida em Congonhas.  Ao arremeter, o vôo JJ-3723, um Airbus 320 igual ao acidentado, deve ter sobrevoado bem próximo à pista de Congonhas. Neste momento, se algum passageiro do lado esquerdo da aeronave tivesse olhado pela janela, certamente veria uma tragédia. Mas aparentemente ninguém viu nada, comentou Rebelo, uma vez que não houve relato ou comentário de passageiros até o desembarque em Cumbica. "Passou muito perto", pensou a colunista do jornal "O Estado de S.Paulo", Sônia Racy, no fim da tarde desta terça. Ela chegou às 15h45 ao Aeroporto Santos Dumont, no Rio, de onde embarcaria para São Paulo. Quando chegou, o aeroporto estava em chamas. Ela pegou um táxi para o Aeroporto Antonio Carlos Jobim, de onde conseguiu outro vôo para Congonhas. O horário do JJ-3041 era 17h05, mas ele decolou com uma hora de atraso, por causa da confusão no Santos Dumont. Enquanto desembarcavam, os passageiros não sabiam que aquele havia sido o último vôo a pousar no Aeroporto de Congonhas depois do acidente - que acontecera poucos minutos antes. Mas quando passava perto da cabine de comando, Sônia ouviu um tripulante comentar que aquele fora o último vôo a pousar "por causa do fogo". Não imaginou nada pior. O desembarque foi atribulado, não passou pelo finger; logo que saiu do saguão, ela pegou um táxi que deixava um passageiro. O motorista se esgueirou para sair pela Avenida Washington Luís, na direção do centro, e aí ela viu o fogo. Pensou que era dia de incêndio em aeroportos. Chegou a ver algumas aeromoças da TAM chorando em frente ao prédio da TAM Express, mas seguiu para casa. Do táxi, ligou para uma amiga, a quem contaria a pequena aventura; em troca, ouviu um relato agoniado sobre o desastre que, àquela altura, se desenhava com clareza no noticiário.

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