ALEX SILVA / ESTADAO
ALEX SILVA / ESTADAO

Queda de avião na zona norte mata 2 e deixa feridos

Aeronave havia decolado do Campo de Marte às 15h55, com destino a Jundiaí, no interior paulista

O Estado de S.Paulo

30 Novembro 2018 | 16h15
Atualizado 30 Novembro 2018 | 22h20

SÃO PAULO - Um avião de pequeno porte caiu na tarde desta sexta-feira, 30, na Avenida Antônio Nascimento Moura, perto do aeroporto do Campo de Marte, na zona norte de São Paulo. Duas pessoas morreram e onze ficaram feridas. A aeronave atingiu uma casa e danificou pelo menos outras duas na região. Sete carros foram atingidos. 

O avião, de modelo Cessna C210, havia acabado de decolar do Campo de Marte, às 15h55, com destino a Jundiaí, no interior paulista, quando caiu. Segundo o Corpo de Bombeiros, os corpos do piloto e do copiloto foram retirados de dentro da aeronave. As vítimas são Guilherme Murback, de 26 anos, e Leonardo Imamura, de 43. A mãe de um deles passou mal ao chegar ao local do acidente e foi socorrida por uma ambulância.

Entre os feridos, havia pedestres que passavam pelo local do acidente e pessoas que estavam dentro das casas atingidas pela aeronave. Dois idosos, moradores da casa mais atingida, não se feriram.

Seis pessoas foram socorridas e levadas a hospitais da cidade: três ao Hospital Geral de Vila Penteado, na zona sul, um ao Hospital Samaritano, na região central, e dois ao Hospital Municipal do Tatuapé, na zona leste, referência no tratamento de queimaduras.

Entre os feridos levados ao Hospital Municipal do Tatuapé, uma mulher foi atendida e teve alta nesta sexta-feira e um homem permanece internado. Uma menina de 8 anos, levada ao Hospital Samaritano, também teve lesões por queimadura. Ela permanecia internada na noite desta sexta, sem previsão de alta. 

O motorista de aplicativo Selmo Eugênio da Silva, de 44 anos, levava um passageiro da Barra Funda, na zona oeste, até Santana, na zona norte, no momento da queda da aeronave. “Não sei como consegui escapar daquele incêndio, veio muito rápido em cima de nós”, disse. Segundo Silva, o carro estava parado no farol quando foi atingido.

"Pensei que um carro tinha batido atrás. O passageiro saiu, passando por cima de mim. Tentei sair e não conseguia. Apertei o botão do cinto, daí saí de dentro (do carro).” Silva queimou parte do braço e foi atendido no local. Agora, está preocupado com o passageiro que, segundo ele, “se queimou bastante” no acidente. “Quero o telefone dele, ligar para ele”. O carro onde estavam explodiu logo depois da queda do avião.

A aeronave caiu perto de um posto de gasolina, assustando funcionários. "Vi ele (avião) passando bem baixinho e, depois, teve a explosão. Deu um barulho alto, saiu fumaça preta na hora, ficou um cheiro de fumaça", disse o frentista Francimar Tomé da Silva, de 47 anos. "Teve correria para ver, tirar fotos. Tinha pessoa gritando, dizendo corre, corre, para sair fora, gritando para sair."

O arquiteto Vainer Ragusa, de 50 anos, passava pela Avenida Brás Leme, após sair de uma consulta médica, quando testemunhou a queda da aeronave. "Estava no farol da Brás Leme, no sentido Santana. Vi que o avião levantou voo e perdeu potência, começou a baixar e caiu entre a rua e uma casa", conta. Segundo Ragusa, a aeronave atingiu carros. "Estava a uns 200 metros e senti o calorão. Foi muito feio." 

A estudante de moda Victória Piccinn, de 19 anos, saía do edifício de 10 andares em que mora quando o avião caiu. “Passou raspando na torre A do Campo de Marte. Estava no celular com um amigo e falei ‘nossa, quase arrancou um pedaço do prédio'.  Passou fazendo tanto barulho que achei que fosse um daqueles caças que fazem show." Segundo ela, houve um clarão após a queda e o avião era branco e azul. “Quando passamos aqui, já tinha muito fogo", disse Victória.

Uma testemunha que trabalha em uma empresa localizada na Avenida Brás Leme, a duas quadras do acidente, também viu o momento da queda. "Vi que o avião subiu do aeroporto, fez um rasante nas árvores e caiu em uma rua bem em frente (da empresa onde trabalha), atrás de um posto de gasolina." Segundo Carneiro Filho, logo após a queda, houve uma explosão. "Explodiu, deu bastante estrondo e uma labareda bem alta."

De acordo com o Corpo de Bombeiros, dez viaturas foram deslocadas para o local onde a aeronave caiu. Por volta das 18h20, as buscas por vítimas foram encerradas e a região, isolada. Três casas foram interditadas e o fornecimento de energia elétrica foi suspenso até a retirada das partes da aeronave pela empresa responsável. 

O trânsito na região era intenso no fim da tarde desta sexta, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), que recomendou aos motoristas evitar o local. A Avenida Antônio Nascimento Moura foi interditada entre a Brás Leme e a Rua Mangaratu. A companhia registrava lentidão na Brás Leme, no sentido Marginal do Tietê, por volta das 18h50. 

O Aeroporto do Campo de Marte ficou fechado para pousos e decolagens das 15h57 até as 16h55, segundo a Infraero. Ele chegou a ser fechado novamente depois, mas em decorrência da chuva que atingia a capital paulista no fim da tarde desta sexta.

Em nota, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) informou que deu início à investigação sobre a ocorrência. Deverão ser reunidos para análise dados como fotografias, partes da aeronave, documentos, além de relatos de testemunhas. "A investigação realizada pelo Cenipa tem o objetivo de prevenir que novos acidentes com as mesmas características ocorram", informou. O prazo de conclusão dependerá da complexidade do acidente. 

Aeronave pertencia a diretor de empresa

A aeronave que caiu logo após decolar do Campo de Marte era do modelo Cessna C210, de prefixo PR-JEE, segundo informações da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Ela pertencia a um empresário do setor imobiliário e de venda de automóveis - era um representante da Mitsubishi.  O dono não estava a bordo. 

O peso máximo de decolagem era de 1,7 tonelada e a aeronave comportava até cinco passageiros. A inspeção anual de manutenção da aeronave tinha validade até 13 de dezembro deste ano. A Anac aponta que o veículo estava registrado sob a categoria de serviços aéreos e que o certificado de aeronavegabilidade estava válido até o ano de 2022.  

Aeroporto é seguro, dizem especialistas

O Campo de Marte, que opera com aviação geral, com voos executivos e escola de pilotagem, já registrou diversos acidentes com aeronaves e helicópteros. Especialista em prevenção de acidentes, Luiz Alberto Bohrer diz que o aeroporto tem condições regulares e está dentro das normas e regras de segurança para pousos e decolagens. 

"O aeroporto não é perigoso, mas há um risco maior para as casas que ficam no seu entorno. Um risco que existe no entorno de qualquer aeroporto", diz. Para ele, o número alto de acidentes no local pode ser explicado pelo tipo de operação. 

Segundo Bohrer, a aviação comercial têm, em geral, maior fiscalização do que a aviação geral. "As exigências e a fiscalização são menores e isso dá margem para que o nível de risco se eleve. O proprietário de um avião pequeno é o responsável pela manutenção da aeronave e pela contratação de pilotos experientes e que respeitem as regras de treinamento." 

Décio Correa, presidente do Fórum Brasileiro de Aviação Civil, diz que uma das causas mais prováveis para esse tipo de acidente é de uma pane na decolagem. "É o momento em que se exige o máximo possível de potência do motor para que a aeronave possa ganhar altura", explica.

Correa diz que as condições do aeroporto são seguras e que não há nenhuma irregularidade na proximidade com as residências. "A maioria dos aeroportos do mundo está no meio do cidade", diz. Aurélio dos Santos, major da reserva da Aeronáutica e especialista em investigação de acidentes aéreos, também diz que o local é seguro para pousos e decolagens. 

Ex-prefeitos da capital já prometeram a desativação do aeroporto, mas não avançaram em projetos e autorizações que viabilizassem a proposta. /ANA PAULA NIEDERAUER, BRUNO RIBEIRO, ISABELA PALHARES, JÚLIA MARQUES, MARCO ANTÔNIO CARVALHO, PRISCILA MENGUE e RENAN CACIOLI

 

 

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'Amava pilotar', diz amigo de jovem morto em acidente perto do Campo de Marte

Guilherme Murback estava em aeronave que caiu sobre casas na zona norte; nas redes, homenageou aviação

Renan Cacioli, O Estado de S.Paulo

30 Novembro 2018 | 19h19

Morto na queda de uma aeronave que decolou do Campo de Marte, na zona norte de São Paulo, na tarde desta sexta-feira, 30, Guilherme Murback era apaixonado pela aviação. "A vida dele era isso. Pesquisava na internet, mostrava pra gente os modelos de avião. Amava pilotar", contou o amigo Pedro Henrique Castaldelli Ramos, de 19 anos. 

Segundo Ramos, os dois se conheceram há pouco mais de um ano, em um empreendimento do qual Murback foi sócio, a SP Premium Lounge, uma casa de tabacaria e bar na região da Água Fria, na zona norte. Ramos é freelancer e trabalha no atendimento e no bar do local.

"Minha tia avisou pelo grupo do WhatsApp que havia caído um avião que tinha decolado do Campo de Marte. Em seguida, no grupo do trabalho, confirmaram que era o Guilherme no avião", contou Ramos, abalado com a notícia. "Ele conseguia prender a atenção dos outros, de tanto que amava falar sobre pilotar."

Murback estava na aeronave de modelo Cessna C210 que decolou às 15h55 do aeroporto do Campo de Marte. A aeronave caiu logo em seguida, atingindo uma casa e danificando outras três. Piloto e copiloto morreram no acidente e outras doze pessoas ficaram feridas. 

Profissão

Nas redes sociais, Murback se intitulava CEO e fundador da Air Box Brasil. A empresa em seu site informa que foi "criada pela necessidade de se preencher uma lacuna na prestação de serviços de despachante na aviação civil junto à Anac" e tem sede em um hangar do Campo de Marte.

Em seu perfil pessoal no Facebook, Murback publicou um texto em homenagem aos aviadores como ele. "Eles não têm raízes na terra. Flutuam nos ares, seu habitat é seu domínio. São arrogantes senhores dos céus." /COLABORARAM MARCO ANTÔNIO CARVALHO e JÚLIA MARQUES

 

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'Deu para sentir o calorão', diz moradora de casa atingida por aeronave

Idosos assistiam televisão quando foram surpreendidos por barulho e fumaça preta. 'Estourou tudo, foi caindo tudo'

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

30 Novembro 2018 | 20h19

Moradores de uma casa atingida pelo avião que caiu após decolar do aeroporto Campo de Marte, na zona norte de São Paulo, os aposentados Neusa e João Bovolenta, de 73 e 83 anos, estavam assistindo televisão na sala de estar de casa no momento do acidente. “A gente estava conversando aí ‘tum’. Eu estava de costas para a janela, aí estourou tudo, foi caindo tudo”, conta a aposentada.

“Começou a vir uma fumaça preta, entrou pelo portão.” Por causa das escadas, o casal não gosta de utilizar o segundo andar do sobrado, em que vive há 26 anos. Eles saíram pela cozinha e pegaram o corredor para os fundos, onde mora uma neta. “Deu para sentir o calorão. Abri tudo. Ele (o marido) pegou uma mangueirinha e começou a jogar água (da casa da neta).” O acidente aconteceu na tarde desta sexta-feira, 30. O piloto e o copiloto morreram e 11 pessoas ficaram feridas. 

“Eu sempre falava desses aviões passando tão baixo, falava para o meu marido: essas 'desgraceiras', você ainda vai ver o que vai acontecer. Mas meu marido só dizia: 'você tem medo de tudo.” Neusa não gosta de avião. “Deus me livre andar em um.” Sem ferimentos, o casal continuava no local do acidente no início da noite desta sexta na esperança de liberarem acesso para retirar documentos e remédios (somente Neusa precisa de oito, para o coração e a pressão alta, dentre outros).

“Não tive nenhum ferimento. Foi Deus que ajudou”, disse Neusa. Se caísse no posto, explodia tudo. Não sobrava ninguém.” Para ela, a casa não poderá ser recuperada. “Não tem jeito. Está tudo destruído, como vai reformar isso aí?”, questiona. 

Interdições

Como parte da aeronave está sob a fiação, o fornecimento de eletricidade foi parcialmente cortado no entorno. Três casas foram interditadas. “Não sabemos o quanto da estrutura foi danificada”, disse na noite desta sexta-feira, 30, a capitã Adriana, do Corpo de Bombeiros. 

O Corpo de Bombeiros aguarda a chegada da empresa responsável pela aeronave, que tem a responsabilidade de tirar o avião. A Polícia Civil e o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) já periciaram o local. 

 

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Prefeitos de São Paulo já prometeram desativar Campo de Marte

Haddad e Doria não avançaram em projetos e autorizações que viabilizassem a proposta

Adriana Ferraz e Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

30 Novembro 2018 | 20h45

O petista Fernando Haddad e o tucano  João Doria combinavam quando o assunto era Campo de Marte. Ex-prefeitos da capital, ambos prometeram a desativação do aeroporto, mas não avançaram em projetos e autorizações que viabilizassem a proposta. Haddad chegou a enviar pedido oficial à Aeronáutica para tirar a asa fixa de lá e Doria anunciou até data para o fim das operações: 2020. Antes deles, Gilberto Kassab (PSD), José Serra (PSDB) e até Celso Pitta também cogitaram transformar a área de 2 km², na zona norte da capital, em parque.

Nesta sexta-feira, 30, após o acidente aéreo que matou duas pessoas perto do Campo de Marte, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB) disse esperar que o presidente eleito, Jair Bolsonaro, mantenha as tratativas feitas entre as gestões João Doria e Michel Temer para a desativação do aeroporto. "A Prefeitura, já no ano passado, havia feito a proposta de receber aquele espaço, transformar em um parque. Esperamos agora que o governo eleito possa dar continuidade àquilo que foi combinado com o atual governo, que é a vinda gradual daquele espaço para a Prefeitura e a desativação do aeroporto."

O último capítulo da novela que envolve o aeroporto se deu em agosto do ano passado, quando Doria recebeu o presidente Michel Temer na sede da Prefeitura e firmou com ele acordo no qual a União se comprometeu a ceder 400 mil m² do terreno ao município para um projeto que incluiria a construção de um museu aeroespacial, um parque (em fase de projeto) e, por último, o fim das operações relacionadas à aviação executiva. 

Na ocasião, o tucano discursou favoravelmente à desativação da pista, afirmando que vários aeroportos funcionais em implantação no entorno da capital poderiam fazer o papel do Campo de Marte, que ficaria apenas com a aviação de helicópteros. Mas justamente essa possibilidade de repassar decolagens e pousos de aviões de pequeno porte a aeroportos de outras cidades que sempre empaca qualquer tipo de negociação.

Haddad, por exemplo, chegou a sugerir a transferência dos voos para aeródromos privados em São Roque (em obras) e Embu-Guaçu (em projeto ainda). Ambas as opções, no entanto, exigiriam aos passageiros ou pegar um helicóptero para chegar em São Paulo ou apelar ao carro por estradas, às vezes, congestionadas. Doria também citou São Roque e ainda sugeriu Jundiaí, onde há um aeroporto estadual.

No caso do petista, o argumento para a desativação era seu plano urbanístico para São Paulo. Como no entorno do Campo de Marte não pode haver prédios altos, sob risco de interferir na segurança de pousos e decolagens de aviões, e Haddad se comprometeu a desenvolver a região a partir do chamado Arco do Futuro, o ex-prefeito defendia a desativação e a implantação ali de um novo bairro, aprovado no atual Plano Diretor de São Paulo.

O acidente desta sexta-feira, 30, expõe, mais uma vez, os fracassos das negociações políticas para dar uma nova destinação à área. Com ele, são três os acidentes no período de um ano e cinco meses. 

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Como foi o acidente perto do Campo de Marte, segundo testemunhas

Avião saiu do aeroporto na zona norte em direção a Jundiaí, mas caiu pouco depois de decolar

O Estado de S. Paulo

30 Novembro 2018 | 21h08

Um avião de pequeno porte caiu após decolar do aeroporto Campo de Marte, na zona norte de São Paulo, na tarde desta sexta-feira. Dois ocupantes morreram e 11 pessoas ficaram feridas. Uma casa foi atingida e outras duas ficaram danificadas.

Testemunhas que presenciaram o momento da queda contaram o que viram ao Estado. Veja os relatos: 

'Levantou aquela bola de fogo'

O atendente de loja Rafael dos Santos, de 25 anos, estava no portão de casa quando ocorreu a queda. Segundo ele, não estava chovendo na hora do acidente. “Vi ele (avião) passando, passou muito rápido, aí embicou e levantou aquela bola de fogo e de fumaça preta.”

Segundo ele, havia pelo menos dois homens no caminhão de lixo que estava perto do local e que acabou carbonizado. Imagens feitas por Santos no celular mostram que a queda criou pequenos focos de incêndio na rua. “Nunca vi nada assim.”

'Veio muito rápido em cima de nós'

O motorista de aplicativo Selmo Eugênio da Silva, de 44 anos, levava um passageiro da Barra Funda, na zona oeste, até Santana, na zona norte, no momento da queda da aeronave. “Não sei como consegui escapar daquele incêndio, veio muito rápido em cima de nós”, disse. Segundo Silva, o carro estava parado no farol quando foi atingido.

"Pensei que um carro tinha batido atrás. O passageiro saiu, passando por cima de mim. Tentei sair e não conseguia. Apertei o botão do cinto, daí saí de dentro (do carro).” Silva queimou parte do braço e foi atendido no local. 

'Teve correria para ver, tirar fotos'

"Vi ele (avião) passando bem baixinho e, depois, teve a explosão. Deu um barulho alto, saiu fumaça preta na hora, ficou um cheiro de fumaça", disse o frentista Francimar Tomé da Silva, de 47 anos. "Teve correria para ver, tirar fotos. Tinha pessoa gritando, dizendo corre, corre, para sair fora, gritando para sair."

'Levantou voo e perdeu potência'

O arquiteto Vainer Ragusa, de 50 anos, passava pela Avenida Brás Leme, após sair de uma consulta médica, quando testemunhou a queda da aeronave. "Estava no farol da Brás Leme, no sentido Santana. Vi que o avião levantou voo e perdeu potência, começou a baixar e caiu entre a rua e uma casa", conta. Segundo Ragusa, a aeronave atingiu carros. "Estava a uns 200 metros e senti o calorão. Foi muito feio." 

'Achei que fosse um daqueles caças que fazem show'

A estudante de moda Victória Piccinn, de 19 anos, saía do edifício de 10 andares em que mora quando o avião caiu. “Passou raspando na torre A do Campo de Marte. Estava no celular com um amigo e falei ‘nossa, quase arrancou um pedaço do prédio'.  Passou fazendo tanto barulho que achei que fosse um daqueles caças que fazem show." Segundo ela, houve um clarão após a queda e o avião era branco e azul. “Quando passamos aqui, já tinha muito fogo", disse Victoria.

'Deu para sentir o calorão'

Moradores de uma casa atingida pelo avião, os aposentados Neusa e João Bovolenta, de 73 e 83 anos, estavam assistindo televisão na sala de estar de casa no momento do acidente. “A gente estava conversando aí ‘tum’. Eu estava de costas para a janela, aí estourou tudo, foi caindo tudo”, conta a aposentada.

“Começou a vir uma fumaça preta, entrou pelo portão.” Por causa das escadas, o casal não gosta de utilizar o segundo andar do sobrado, em que vive há 26 anos. Eles saíram pela cozinha e pegaram o corredor para os fundos, onde mora uma neta. “Deu para sentir o calorão. Abri tudo. Ele (o marido) pegou uma mangueirinha e começou a jogar água (da casa da neta).” /PRISCILA MENGUE, RENAN CACIOLI  e JÚLIA MARQUES

 

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Como foi o acidente perto do Campo de Marte, segundo testemunhas

Avião saiu do aeroporto na zona norte em direção a Jundiaí, mas caiu pouco depois de decolar

O Estado de S. Paulo

30 Novembro 2018 | 21h08

Um avião de pequeno porte caiu após decolar do aeroporto Campo de Marte, na zona norte de São Paulo, na tarde desta sexta-feira. Dois ocupantes morreram e 11 pessoas ficaram feridas. Uma casa foi atingida e outras duas ficaram danificadas.

Testemunhas que presenciaram o momento da queda contaram o que viram ao Estado. Veja os relatos: 

'Levantou aquela bola de fogo'

O atendente de loja Rafael dos Santos, de 25 anos, estava no portão de casa quando ocorreu a queda. Segundo ele, não estava chovendo na hora do acidente. “Vi ele (avião) passando, passou muito rápido, aí embicou e levantou aquela bola de fogo e de fumaça preta.”

Segundo ele, havia pelo menos dois homens no caminhão de lixo que estava perto do local e que acabou carbonizado. Imagens feitas por Santos no celular mostram que a queda criou pequenos focos de incêndio na rua. “Nunca vi nada assim.”

'Veio muito rápido em cima de nós'

O motorista de aplicativo Selmo Eugênio da Silva, de 44 anos, levava um passageiro da Barra Funda, na zona oeste, até Santana, na zona norte, no momento da queda da aeronave. “Não sei como consegui escapar daquele incêndio, veio muito rápido em cima de nós”, disse. Segundo Silva, o carro estava parado no farol quando foi atingido.

"Pensei que um carro tinha batido atrás. O passageiro saiu, passando por cima de mim. Tentei sair e não conseguia. Apertei o botão do cinto, daí saí de dentro (do carro).” Silva queimou parte do braço e foi atendido no local. 

'Teve correria para ver, tirar fotos'

"Vi ele (avião) passando bem baixinho e, depois, teve a explosão. Deu um barulho alto, saiu fumaça preta na hora, ficou um cheiro de fumaça", disse o frentista Francimar Tomé da Silva, de 47 anos. "Teve correria para ver, tirar fotos. Tinha pessoa gritando, dizendo corre, corre, para sair fora, gritando para sair."

'Levantou voo e perdeu potência'

O arquiteto Vainer Ragusa, de 50 anos, passava pela Avenida Brás Leme, após sair de uma consulta médica, quando testemunhou a queda da aeronave. "Estava no farol da Brás Leme, no sentido Santana. Vi que o avião levantou voo e perdeu potência, começou a baixar e caiu entre a rua e uma casa", conta. Segundo Ragusa, a aeronave atingiu carros. "Estava a uns 200 metros e senti o calorão. Foi muito feio." 

'Achei que fosse um daqueles caças que fazem show'

A estudante de moda Victória Piccinn, de 19 anos, saía do edifício de 10 andares em que mora quando o avião caiu. “Passou raspando na torre A do Campo de Marte. Estava no celular com um amigo e falei ‘nossa, quase arrancou um pedaço do prédio'.  Passou fazendo tanto barulho que achei que fosse um daqueles caças que fazem show." Segundo ela, houve um clarão após a queda e o avião era branco e azul. “Quando passamos aqui, já tinha muito fogo", disse Victoria.

'Deu para sentir o calorão'

Moradores de uma casa atingida pelo avião, os aposentados Neusa e João Bovolenta, de 73 e 83 anos, estavam assistindo televisão na sala de estar de casa no momento do acidente. “A gente estava conversando aí ‘tum’. Eu estava de costas para a janela, aí estourou tudo, foi caindo tudo”, conta a aposentada.

“Começou a vir uma fumaça preta, entrou pelo portão.” Por causa das escadas, o casal não gosta de utilizar o segundo andar do sobrado, em que vive há 26 anos. Eles saíram pela cozinha e pegaram o corredor para os fundos, onde mora uma neta. “Deu para sentir o calorão. Abri tudo. Ele (o marido) pegou uma mangueirinha e começou a jogar água (da casa da neta).” /PRISCILA MENGUE, RENAN CACIOLI  e JÚLIA MARQUES

 

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Relembre outros acidentes no Campo de Marte

Em julho deste ano, uma aeronave de pequeno porte caiu e uma pessoa morreu

Isabela Palhares, O Estado de S.Paulo

30 Novembro 2018 | 16h43

SÃO PAULO - Um avião caiu na tarde desta sexta-feira, 30 na avenida Santos Dumont, próximo ao aeroporto do Campo de Marte, na zona norte de São Paulo. É a segunda queda de aeronave registrada no local neste ano.

29 de julho de 2018 

Uma aeronave também de pequeno porte caiu no aeroporto. Uma pessoa morreu. Dos sete ocupantes do avião, quatro foram arremessados para fora e três tiveram de ser retirados das ferragens. O piloto não resistiu aos ferimentos. O avião partiu de Videira (SC), a aproximadamente 400 quilômetros de Florianópolis, e pertencia a uma empresa do setor de embalagens plásticas. 

Em outros anos, o local também registrou acidentes graves.

19 de março de 2016

Em março de 2016, um avião monomotor caiu sobre um sobrado no bairro da Casa Verde, zona norte de São Paulo, deixando sete mortos e um ferido. O dono da aeronave era o empresário Roger Agnelli, de 56 anos, ex-presidente da mineradora Vale, que morreu no acidente. 

Testemunhas relataram que a aeronave bateu no muro de uma casa vizinha antes de cair na garagem de uma casa e explodir, danificando sete carros.

4 de novembro de 2007

Em novembro de 2007, um avião Learjet caiu sobre três imóveis na Casa Verde, zona norte, após decolar do aeroporto de Campo de Marte. A aeronave ficou no ar por apenas 15 segundos. O acidente causou oito mortes – dois tripulantes e seis pessoas da mesma família, incluindo um bebê. O piloto foi apontado como o culpado pela queda. Ele fazia uma curva para a direita quando o avião caiu, mas deveria ter ido à esquerda.

Outros acidentes de avião no Brasil

29 de setembro de 2006

Um Boeing da Gol colidiu com um jato Legacy e desabou em um território indígena de Mato Grosso, a 692 quilômetros de Cuiabá. No total, 154 pessoas morreram nessa tragédia. Onze anos depois, pilotos do Legacy tiveram prisão decretada

17 de julho de 2007

Um avião da companhia TAM (hoje LaTam) colidiu com um galpão no Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo. O acidente deixou 199 mortos.

1º de junho de 2009

Um avião da Air France partiu do Rio de Janeiro e caiu no meio do Oceano Atlântico, deixando 228 mortos, entre passageiros e tripulantes. Esse voo seguia em direção a Paris. 

 

 

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