Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Queda de avião de pequeno porte deixa um morto na zona norte de São Paulo

Vindo de Ubatuba, no Litoral Norte, aeronave teve problemas na hora do pouso em Campo de Marte e pegou fogo ao chegar ao solo, na Avenida Braz Leme

Marco Antônio Carvalho e Ludimila Honorato, O Estado de S.Paulo

08 de julho de 2020 | 18h37
Atualizado 08 de julho de 2020 | 22h16

SÃO PAULO - Um piloto morreu após a queda de um avião de pequeno porte no fim da tarde de ontem na Avenida Braz Leme, perto do Aeroporto Campo de Marte, zona norte paulistana. Paulo Magalhães Pereira, que voava sozinho, tinha 48 anos. Segundo o Corpo de Bombeiros, o acidente ocorreu por volta de 18h10 na altura do número 1.315 da via e não houve mais vítimas.

A família de Pereira soube do acidente pela televisão, ao identificar o modelo da aeronave pilotada por ele. Segundo o pai da vítima, Luiz Antônio da Silva Pereira, ele tinha oito anos de experiência em voos.

A Infraero, responsável pela operação dos principais aeroportos comerciais do País, informou que a aeronave BE-58, prefixo PR-OFI, havia saído de Ubatuba, no Litoral Norte de São Paulo, com destino ao Campo de Marte. Ao tentar fazer o pouso, o avião apresentou problemas e caiu na avenida. Com a ocorrência, o aeroporto ficou fechado entre 18h09 e 19h01.

O auxiliar de mecânico Felipe Novaes, de 18 anos, contou que passava pela Braz Leme quando viu uma aeronave em baixa altitude, como se preparasse para pousar. "Passamos e só depois ouvimos um estrondo muito forte. Voltamos e já deparamos com o avião no chão, em chamas. Uma imagem impressionante porque instantes antes tínhamos visto o avião no ar", relatou o jovem.

A aeronave caiu próximo ao canteiro central da avenida, que logo em seguida foi interditada nos dois sentidos para o tráfego. Por volta das 19h, os destroços estavam envoltos na espuma usada pelos bombeiros para debelar as chamas.

Nos finais de tarde, os canteiros da avenida costumam ser ocupados por moradores da região, que ali aparecem para realizar atividades físicas. À noite, muitos deles continuavam nas proximidades acompanhando o trabalho dos bombeiros.

Susto

Felipe Dizioli, de 33 anos, corria em um dos canteiros da avenida quando disse ter escutado o barulho do avião, ainda no ar. “Escutei o barulho e olhei pra cima, vi caindo. Tive pouco tempo para correr”, contou ele.

O aparelho atingiu o solo a menos de 50 metros de onde ele estava. “Assim que atingiu o solo, explodiu.” Proprietário de uma agência de marketing, Dizioli disse que ainda retornou ao local para tentar prestar socorro, mas as chamas eram intensas. “Não dava para chegar muito perto.” O taxista Robson Ferreira de Carvalho, de 52 anos, lembrou que, naquele momento, ventava muito na região - ele chegou a ver aeronave antes da queda.

Uma equipe do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aéreos (Cenipa), da Força Aérea Brasileira (FAB), foi ao local ontem à noite para iniciar a investigação das causas do acidente.

De acordo com registros da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o avião é de propriedade de Renato Kazakevic, foi fabricado pela Beech Aircraft em 1975 e adquirido por ele em 2016. O bimotor estava autorizado para voo noturno e serviços aéreos privados, mas não tinha permissão para realizar táxi aéreo.

 

Acidentes perto do Campo de Marte

Em 2018, pelo menos dois acidentes com aeronaves aconteceram perto do Aeroporto Campo de Marte. Em julho daquele ano, dos sete ocupantes do avião de pequeno porte, quatro foram arremessados para fora e três tiveram de ser retirados das ferragens. O piloto não resistiu aos ferimentos.

Em novembro, uma aeronave havia decolado do Campo de Marte às 15h55, com destino a Jundiaí, no interior paulista, e atingiu uma casa qunado caiu. Duas pessoas morreram e onze ficaram feridas. Relembre outros episódios aqui.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.