Avião de pequeno porte cai em SP e piloto morre Com brevê desde 1975, voava sempre com o mesmo modelo

Empresário de 62 anos havia partido do Campo de Marte para um voo de 40 minutos; destroços foram encontrados em mata

LUCIELE VELLUTO, MONIQUE ABRANTES, O Estado de S.Paulo

03 de junho de 2012 | 03h02

Um avião monomotor caiu na região de Parada de Taipas, no distrito do Jaraguá, extremo norte da cidade de São Paulo, por volta das 9h40 de ontem. O piloto e único tripulante, o empresário André Nestor Escobar Bertin, de 62 anos, morreu. A aeronave, modelo Embraer 711 Corisco, havia saído 10 minutos antes do Campo de Marte, também na zona norte, e voltaria para o mesmo aeroporto 40 minutos depois.

O avião caiu perto da Estrada José Lopes. A região é cercada por mata, às bordas da Serra da Cantareira. A batida do monomotor em uma árvore de pequeno porte foi o suficiente para a hélice do avião ser lançada a 4 metros. "Ouvi o barulho de alguma coisa caindo no meio das árvores e quando cheguei encontrei o avião destroçado", contou Priscila Pereira Rodrigues, que mora no bairro.

Outro morador, que estava na varanda de sua casa, contou que também ouviu a colisão nas árvores. "Inicialmente pensei que fosse um helicóptero. Apesar de haver muita neblina na hora, depois consegui ver que era um monomotor. O barulho do choque foi muito alto", afirmou Ary Vieira Baroncelli.

Sete equipes dos bombeiros e um helicóptero Águia da Polícia Militar foram para o local do acidente. Eles chegaram por volta das 10h30, mas tiveram dificuldade para chegar aos destroços, pois a vegetação é fechada e a terra estava molhada.

Investigação. Uma perícia será feita para determinar as causas da queda. Ainda não se sabe o motivo do acidente, mas técnicos da Aeronáutica devem entregar um relatório já na segunda-feira para o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa).

O avião não tinha caixa-preta. Para descobrir os motivos da queda, serão utilizadas as gravações de diálogo com controladores de voo e possíveis avarias no avião. Segundo a família de Bertin, o empresário era extremamente cauteloso e detalhista, o que os faz acreditar que o acidente possa ter ocorrida por qualquer tipo de falha, menos do piloto. "Ele era muito cuidadoso, checava tudo antes de decolar", lamentou um parente próximo que não quis se identificar.

Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a documentação da aeronave, com prefixo PT-KRF, está regular. A manutenção está em dia e certificado é válido até 2013. Segundo o perito em aviação Roberto Peterka, o Embraer 711 "é uma aeronave de pilotagem elementar, com ampla gama de utilização".

André Nestor Escobar Bertin, de 62 anos, era empresário, casado, tinha dois filhos e dois netos. Morador de São José dos Campos, no Vale do Paraíba, vinha sempre para São Paulo para praticar seu hobby: voar. Bertin tinha brevê desde 1975, mais de 500 horas de voo - o equivalente ao que grandes empresas do setor aéreo exigem para contratar pilotos - e era sócio do Aeroclube de São Paulo desde 1980. O avião Embraer 711, conhecido como Corisco, era sempre o escolhido. "Ele voava regularmente e tinha experiência com esse avião", explica Alexandre Mele, diretor do clube de aviação.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.