Avião da TAM pousou na velocidade normal e colidiu a 175 km/h

Jorge Kersul Filho diz que a velocidade do Airbus que explodiu 'estava dentro dos padrões previstos'

24 de julho de 2007 | 17h00

O brigadeiro Jorge Kersul Filho, do Centro de Investigação de Acidentes Aeronáuticos disse, durante coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira, 24, que o vôo 3054 da TAM pousou em uma velocidade normal, não desacelerou o suficiente e colidiu lateralmente a 175 km/h. O brigadeiro disse que a informação foi repassada a ele pelos deputados que acompanham análise da caixa-preta, em Washington.   Kersul disse que a velocidade "estava dentro dos padrões previstos" e que neste caso a posição em que o avião pousou não é relevante, porque "depende de como o pouso reagiu no final do procedimento". Disse ainda que "colidiu primeiro com a caixa de concreto, depois com uma coluna".   Sobre as informações que a caixa preta deve revelar, o brigadeiro disso que o importante "não é o relatório final, mas sim as recomendações de segurança que emitiremos a qualquer momento que evitará que outro acidente como esse aconteça".   Ainda sobre a caixa preta, ele disse que se o País achar que é  importante  que as informações sejam divulgadas, elas serão. "Mas isso pode ser inconveniente. Colocaríamos voluntários que deram depoimentos em evidência. No futuro, não falarão nada porque ficarão intimados", disse, evidenciando que acha necessária a criação de um projeto de lei que proteja essas informações.   Questionado sobre a eventual contribuição das condições da pista, Kersul disse que não pode afirmar nada por enquanto. "Como houve o acidente, a gente vai tentar eliminar essa possibilidade. Sugerimos que operações sejam evitadas naquela pista (a principal do aeroporto) enquanto estiver molhada, até as confirmações dos parâmetros".   Kersul descartou a possibilidade grande de um novo acidente na pista de Congonhas. "Não podemos dizer que um outro acidente se repetirá. O que fazemos é tentar evitar ao máximo. Trabalhamos pra evitar, e se identificarmos alguma falha de freio no avião (que se acidentou), não vamos esperar o fim das investigações pra divulgar isso", garantiu.   Sobre as investigações, que devem durar, segundo Kersul, dez meses, ele disse que não está sendo usada a palavra "causa", e que eles estão buscando os "fatores" que contribuíram para o acidente. "Nenhum acidente se deve a um fator único fator, e sim a uma seqüência. Por exemplo, uma tripulação que não descansou o suficiente ou uma pista molhada podem ter contribuído".   As famílias "já estão sendo supridas com informações". "Elas querem saber o que aconteceu naquele dia, o entendimento é importante. Mas se o objetivo (das famílias) não é só esse (compreender o que ocorreu), elas devem procurar órgãos policiais".

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