Avião da TAM com 176 a bordo derrapa e bate em Congonhas

Até as 1h30 desta quarta-feira, pelo menos 35 corpos haviam sido retirados dos escombros na Washington Luís

17 de julho de 2007 | 23h44

'Vira! Vira! Vira!'. Estas foram últimas palavras ouvidas pela torre de controle do aeroporto de Congonhas de dentro da cabine do Airbus A320 da TAM, segundo um oficial da Aeronáutica. A aeronave, procedente de Porto Alegre, com 176 pessoas a bordo, derrapou na pista, atravessou a Washington Luiz e bateu em um prédio da companhia aérea e em um posto de gasolina do outro lado da avenida. Às 1h40, a TAM divulgou a lista com 168 nomes de passageiros que estavam no vôo 3054, que saiu de Porto Alegre às 17h16.  Veja também:O local do acidenteOs piores desastres aéreos do BrasilConheça o Airbus A320Galeria de fotos">Tudo sobre o acidente da TAMSegundo o oficial, que investiga a tragédia, o acidente durou alguns segundos, entre o pouso e o choque, que, por volta das 17h15, causou uma explosão que consumiu o avião e destruiu o prédio. Antes do pouso, diz o oficial, o comandante foi informado pela torre de que a pista estava molhada e escorregadia. Após o primeiro toque no solo, quando tudo parecia bem, a torre jádisparou um aviso para o avião seguinte, que aguardava a vez para pousar. No momento do choque a aeronave estava a cerca de 180 km/h, velocidadetípica de quem tentara arremeter depois de constatar que fora impossível pousar.Pelo menos 15 feridos haviam sido atendidos nos hospitais da zona sul. Sobre os passageiros, a TAM informou que notificou os familiares antes de divulgar a lista. Os familiares dos passageiros começaram a chegar ao aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, ´no início da noite, protagonizando cenas de desespero. Um senhor gritava indignado pedindo pela lista de passageiros. Os mais exaltados foram contidos por amigos. O deputado federal Julio Redecker (PSDB-RS) estava a bordo do avião. A liderança do PSDB lamentou o acidente e, em nota, do senador Arthur Virgilio (AM), diz que há meses o partido "denuncia os problemas sobejamente conhecidos que afetam o tráfego aéreo e os principais aeroportos do País e reclamando providências das autoridades". O presidente Luiz Inácio Lula da Silva Lula estabeleceu um gabinete de crise para acompanhar o caso e cancelou toda a agenda até sexta-feira.  Na reunião com Lula, questionava-se se o acidente poderia ter sido provocado pela liberação da pista de Congonhas sem as ranhuras que ajudam a segurar os pousos de grandes aviões, que só começariam a ser feitas no próximo dia 25 de julho. O agente de segurança de vôo do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Carlos Camacho, confirmou ao Estadão essa hipótese: "Era de se esperar que isso ocorresse. Um avião lotado, portanto, pesado, um dia de chuva e com empoçamento de água, o piloto fica sem ter como controlar o avião". Para o governo federal, é cedo para tirar conclusões sobre o acidente.Marcia Barros, que estava perto do local no momento do acidente, afirmou ao estadao.com.br que houve uma explosão logo após a colisão. Por volta de 20h30, o prédio começou a desabar. Uma testemunha teria visto o momento em que o avião vinha pousando, entrou um depósito de combustível e pegou fogo. O Corpo de Bombeiros enviou 26 equipes para controlar o incêndio. Havia muitos curiosos no local, que atrapalhavam o trabalho dos bombeiros e do resgate. O fogo foi controlado por volta das 21h15, segundo a TV Bandeirantes. Um bombeiro disse à emissora que o avião foi inteiramente destruído. O resgate foi suspenso pouco depois das 22h30 por causa do desabamento de uma parede. A avenida Washington Luiz foi fechada nos dois sentidos, causando congestionamento. A Eletropaulo cortou o fornecimento de energia de Congonhas. O acidente aconteceu na esquina da avenida com a rua Otavio Tarquínio de Souza.

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