Avião apresentou defeito no reverso da turbina na sexta

Reversor foi travado; avião poderia voar a menos que houvesse chuva forte, diz TAM

Marcelo Godoy e Bruno Tavares, do Estadão,

19 de julho de 2007 | 20h35

Dez anos depois do acidente com o Fokker-100 da TAM em Congonhas, matando 99 pessoas, a Aeronáutica investiga novamente que novo a possibilidade do reverso da turbina ser a causa da tragédia do Airbus A-320 da mesma empresa, ocorrido na terça-feira.  Veja também:Chefes da Defesa e da Infraero devem sair na próxima semana Dilma convoca presidente da Infraero e diretora da Anac  Lista completa dos mortos Quem são as vítimas do vôo 3054 As histórias das vítimas da tragédia O local do acidente Opine: o que deve ser feito com Congonhas? Os acidentes mais graves da aviação brasileira Cronologia da crise aérea Conheça o Airbus A320 A repercussão da tragédia no mundo Assista a vídeos feitos no local do acidente  A razão disso é que a dinâmica do trajeto feito pelo avião na pista do Aeroporto de Congonhas indica que algo fez o avião virar para esquerda em direção ao prédio da TAM Express antes de ele chegar ao fim da pista principal.O mau funcionamento do equipamento no momento em que os pilotos tentavam arremeter o Airbus pode ter sido fatal. O reverso é usado para frear a aeronave no pouso. Ele deve ser recolhido durante a decolagem para que os motores ganhem potência. A hipótese que vê no reverso um vilão ganhou força depois dos exames feitos na pista de Congonhas pelos peritos do caso. Em entrevista, o vice-presidente Técnico da TAM, Ruy Amparo, confirmou que o reversor direito estava travado. "Como tudo é muito digital no Airbus, ao menor sinal de problema para o piloto há procedimentos para inibir situações de não-funcionamento", disse Amparo. "Tenho os manuais aqui e eles mostram que os reversores não eram item requerido para este tipo de pouso".Em entrevista ao Jornal Nacional, Ruy Amparo admitiu que a aeronave apresentou um defeito no reverso da turbina direita na sexta-feira, 13, quando pousava em Congonhas, e que por isso o reverso da aeronave foi travado. Segundo ele, manuais de manutenção da Airbus relatavam que a revisão do defeito pode ser feita em até dez dias e que o defeito não impede a aeronave de voar. Segundo o presidente da TAM, o piloto da aeronave recebeu uma "mensagem" e reportou o problema na sexta-feira. "Não é um defeito grave. O avião pode voar até com os dois reversores inoperantes", disse Amparo. "O defeito foi constatado e o reversor direito foi pinado, ou seja, travado", disse Amparo.O executivo disse ainda que, mesmo sem os dois reversores o avião pode pousar em qualquer pista, exceto em locais onde o asfalto esteja "muito contaminado", ou seja, com excesso de água na pista devido à forte chuva, "o que não era o caso de Congonhas", disse.Um dia antes do acidente, na segunda-feira, 16, o avião também teria apresentado problemas ao aterrissar em Congonhas, durante o vôo 3215, procedente de Belo Horizonte (Confins), só conseguindo parar muito próximo do final da pista. O piloto do jato teria relatado à torre de controle que a pista estava muito escorregadia.O vice-presidente da TAM diz desconhecer o incidente de segunda-feira, afirmando que o livro de bordo da aeronave, que registra qualquer problema apresentado durante vôos, não há registro de nenhuma "pane séria" no dia 16.

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