Aviação: mortes em acidentes em 2011 já superam ano passado

São 60 mortos contra 39 em todo o ano passado; quedas da Noar e da FAB alavancaram estatísticas

Nataly Costa, O Estado de S.Paulo

08 de agosto de 2011 | 00h00

O número de pessoas mortas em acidentes na aviação brasileira cresceu 53% só no primeiro semestre deste ano. Dados do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) mostram que 60 pessoas morreram em quedas de avião e helicóptero até o dia 1.º de agosto. Em todo o ano de 2010, foram 39.

Dois acidentes no último mês contribuíram para alavancar as estatísticas. Um foi a queda do avião da Noar no Recife, no último dia 13, com 16 pessoas a bordo. Na terça-feira, uma aeronave da Força Aérea Brasileira caiu em Santa Catarina e fez mais oito vítimas.

De 2005 até 2009, o total de acidentes na aviação brasileira praticamente dobrou: de 58 para 113. No ano passado, caiu para 110 e, apenas no primeiro semestre deste ano, já alcançou os 90.

Os números são absolutos e não levam em conta o crescimento da frota de aviões no País - o Cenipa afirma que não obteve ainda os dados relativos ao tamanho da frota em 2010 e 2011. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que produz o Relatório Anual de Segurança Operacional comparando o índice de acidentes aéreos no Brasil e no mundo, ainda não divulgou os dados dos últimos dois anos.

A quantidade de aviões envolvidos em acidentes de janeiro até o primeiro dia de agosto deste ano já alcançou 85% do total do ano passado: foram 77 ocorrências até agora, ante 90 de dezembro a janeiro de 2010. Os acidentes com helicópteros cresceram 25% desde 2008.

Os acidentes fatais também já quase alcançam o total do ano passado: foram 17 apenas neste primeiro semestre. Em 2009, foram 19 quedas com vítimas; no ano passado, 21.

"Quase tragédias". Segundo especialistas, a quantidade de acidentes preocupa principalmente quando se leva em conta as "quase tragédias" - como o avião da TAM que se chocou com um balão no dia 17. "Já tivemos anos seguidos com número alto de acidentes. Depois, foi caindo. É importante que não volte a subir novamente", afirma o brigadeiro Mauro Gandra, ex-ministro da Aeronáutica.

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