Leonardo Soares/AE
Leonardo Soares/AE

Avenida Ricardo Jafet, em São Paulo, sofre com obras há 25 anos

Serviços de saneamento bloqueiam pistas; atual intervenção da Sabesp está atrasada

Márcio Pinho, O Estado de S.Paulo

18 Novembro 2011 | 23h34

SÃO PAULO - O corredor formado pelas Avenidas Ricardo Jafet e Professor Abraão de Morais, na zona sul de São Paulo, é sinônimo de canteiros de obras e dificuldades para passar de carro ou ônibus. Os serviços antienchente e de saneamento, que vão e voltam desde 1986, quando começou a ampliação do Córrego Ipiranga nas proximidades da Avenida Dom Pedro I, hoje ainda mantêm pelo menos cinco canteiros de obras na pista sentido Imigrantes.

A bola da vez são as obras da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), que vão atrasar em dez meses e só ficarão prontas em fevereiro. São cinco trechos entre as proximidades da Estação Santos-Imigrantes e a Avenida dos Bandeirantes, que deixam bloqueadas até duas faixas - de quatro - no sentido bairro.

Com isso, os ônibus não podem continuar o caminho na faixa preferencial e têm de mudar para outras pistas, piorando ainda mais a situação do trânsito. O corredor é uma ligação importante entre bairros próximos do centro, a zona sul e o ABC, além de alternativa às sempre congestionadas 23 de Maio e Marginal do Pinheiros.

É ainda o caminho usado por vários passageiros da Linha 2 do Metrô, que chegam à Estação Santos-Imigrantes ou saem dela. Com o trânsito livre, os sete quilômetros de extensão são percorridos facilmente em até 12 minutos. Nos horários de pico, com as obras, motoristas gastam 40 minutos no trecho.

Bloqueios. No sentido centro, há apenas uma obra em andamento nas proximidades do Shopping Plaza Sul. Mas isso não quer dizer que os motoristas estejam tranquilos. Duas faixas são frequentemente bloqueadas na frente de um posto da polícia, na esquina com a Rua Luís Góis, para que os policiais façam fiscalização.

"Quando começam a fiscalização, já sei que vou perder muito tempo dentro do carro. Sem contar quando chegamos perto das obras e o trânsito para", reclama o comerciante Cardoso da Silva, que tem uma loja de produtos para carro e realiza entregas nas proximidades. Há 12 anos no local, ele diz ter perdido a conta de quantas obras já viu por ali.

As obras de saneamento da Sabesp fazem parte do projeto de despoluição do Rio Tietê. O atraso, segundo a empresa, foi causado por dificuldades na obtenção das autorizações para execução das obras da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e pelas obras de canalização da Secretaria de Infraestrutura Urbana (Siurb), que impediram o início da execução no trecho entre as Ruas Pedro Campana e Vergueiro.

A Prefeitura também tem uma obra de canalização atrasada no Córrego Lomas Valentinas (afluente do Ipiranga), já perto da Rodovia dos Imigrantes. Um investimento de R$ 1,6 milhão está previsto para essa intervenção, que deveria ter sido concluída em agosto. A Prefeitura informou que ainda não foi finalizado o licenciamento da obra e será dado um novo prazo de conclusão de 150 dias, a partir de 25 de novembro.

Cheias. A chegada da estação da chuvas, como é chamado o período de outubro a março, é recebida com preocupação por quem trabalha ou trafega pela via. A reclamação é que, apesar de a Prefeitura ter realizado 11 obras desde 1986, ainda há pontos que alagam e ficam intransitáveis.

No mês mais chuvoso deste ano, janeiro, em 17 vezes foram detectados pontos de alagamentos, segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) - a maior parte na Avenida Professor Abraão de Morais.

Funcionário de um posto de gasolina, Dojivan Silva, de 44 anos, afirma que a o córrego transborda e a água chega a invadir o comércio. "É muita obra para não resolver."

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