Avenida Paulista terá ‘complexo de ciclovias’ em 2015

Via formará eixo ligando Ibirapuera, Jardins e Pacaembu; obra vai durar seis meses e diminuirá tamanho de faixas de veículos

Caio do Valle, O Estado de S. Paulo

09 Setembro 2014 | 23h48

A ciclovia da Avenida Paulista formará um eixo ligando Ibirapuera, Jardins e Pacaembu. Além da via, a Avenida Bernardino de Campos ganhará o dispositivo no canteiro central, recebendo também requalificação urbanística. Esse eixo, com 3,8 km de extensão, se integrará a um complexo cicloviário que conectará as zonas oeste e sul ao centro.

As obras começam em janeiro e devem durar seis meses, informou ontem o secretário municipal dos Transportes, Jilmar Tatto. Quando a ciclovia for inaugurada, cada faixa de veículos da Paulista (existem três por sentido) passará a ter 2,8 metros de largura, ante os 3 metros atuais. As de ônibus (uma por sentido) serão diminuídas de 3,5 metros para 3,3 metros.

O entorno da Paulista também ganhará ciclovias, nos próximos meses, em ruas como Haddock Lobo, Bela Cintra, Frei Caneca, Pamplona, Itápolis, Abílio Soares e Honduras - as últimas na região do Ibirapuera. A Rua Itápolis leva para o Estádio do Pacaembu. “A hora que chegar (a ciclovia) à Paulista, no ano que vem, já tem as conexões”, afirmou Tatto. Esses trechos, porém, serão adotados na direita ou na esquerda das vias, no mesmo nível da rua, separadas das faixas dos carros por tachões e balizadores.

Contudo, na Paulista, a ciclovia ficará no canteiro central, que será alargado para 4 metros, 18 centímetros mais alta que as faixas de rolamento dos lados. Os relógios de rua e os tanques com plantas serão removidos. O piso será feito com um concreto pigmentado de vermelho (cor usada internacionalmente).

No total, as obras do eixo Paulista-Bernardino de Campos custarão R$ 15 milhões. Na execução, uma faixa de rolamento dos carros ficará interditada em cada sentido. O diretor de Planejamento da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), Tadeu Leite Duarte, diz que a Prefeitura escolherá um desvio que afete o mínimo possível a fluidez. “Quando a obra estiver terminada, a gente apaga (a sinalização horizontal existente) e redistribui esses tamanhos.”

Corredor. A ideia de criação de um corredor exclusivo para ônibus no canteiro central deve ser abandonada. Para a cicloativista Aline Cavalcante, a instalação de uma ciclovia na Paulista é “muito positiva”, embora o ideal fosse que ela ficasse rente à calçada e não no centro da avenida. “A Paulista é a via principal que liga várias regiões, não tem como ter ciclovia nas paralelas, pois há muitos morros.”

O presidente da Associação Paulista Viva, Antonio Carlos Franchini Ribeiro, afirma que é preciso que o projeto seja seguro e considere os diversos públicos envolvidos. “Os motociclistas já passam espremidos, com uma segurança menor.”

No trecho da Paulista entre Consolação e Haddock Lobo, sentido Paraíso, a CET vai suprimir uma das três faixas, para a instalação da ciclovia. No sentido contrário, esse trecho ganhará passagem, só para bikes e ônibus, para a Avenida Angélica, cruzando a Rua da Consolação. Com essa medida, 15 linhas de ônibus que transportam 163 mil passageiros por dia serão beneficiadas, reduzindo a viagem em 15 minutos - hoje, os coletivos entram na Rua Bela Cintra.

“O projeto ficará à disposição da sociedade por pelo menos dois meses, aceitando sugestões”, afirmou Tatto. “Já entramos em contato, até mesmo, com órgãos do patrimônio histórico, para que eles também possam opinar.”

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.