Avanhandava muda a cada quarteirão

Início da rua de 800 m tem bares, restaurantes e moderno sistema de iluminação, mas final da via acumula lixo e atrai usuários de droga

Viviane Biondo, O Estado de S.Paulo

04 de outubro de 2010 | 00h00

A cada quarteirão, a Rua Avanhandava, na Bela Vista, região central, ganha uma identidade. Quem vê seu início, na esquina com a Martins Fontes, com restaurantes, bares e elementos decorativos, se surpreende ao chegar ao final dos 800 metros da pequena via, no cruzamento com a Rua Paim.

No caminho, há o Sacolão Municipal Avanhandava e uma passagem para a Avenida 9 de Julho, com intenso movimento de pedestres. Ao lado fica o Viaduto do Café, cujo canteiro de obras, paralisadas há oito anos, serve de depósito de lixo e abrigo a moradores de rua.

"O abandono atrai usuários de drogas e assaltantes. Pensamos em instalar holofotes no prédio ao lado, para inibir", diz Angela Maria dos Santos, de 48 anos, presidente da Ação Local Avanhandava, que mora em um dos condomínios da rua. "À noite, um funcionário do sacolão tem de fechar os portões da ligação com a 9 de Julho para evitar assaltos no corredor."

Os 140 m iniciais da Avanhandava ganharam, em agosto, novo sistema de iluminação, graças à parceria entre a Prefeitura, a fabricante GE e a Associação de Restaurantes, presidida pelo empresário Walter Mancini, dono de seis estabelecimentos na rua.

As luminárias LED, que substituíram as de vapor de sódio, oferecem, segundo a Secretaria Municipal de Serviços, mais economia, durabilidade e distribuição uniforme de luz e são o primeiro passo de um projeto para implementar essa iluminação em outros pontos. A fabricante GE, que não cobrou pelo projeto, disse que não há planos de estendê-lo para toda a Avanhandava.

"A diferença entre os quarteirões ficou ainda maior. Parecem ruas diferentes", lamenta Angela. Segundo o Departamento de Iluminação Pública (Ilume), uma equipe de manutenção esteve na rua e fez reparos na rede. "Os moradores procuram a Prefeitura, enquanto eu, a iniciativa privada. O que não posso é encontrar patrocinadores para a rua toda", afirma Mancini, responsável pela revitalização de parte da Avanhandava, em 2006.

Para o aposentado Darci Gersosimo, de 74 anos, morador da rua, o principal problema é o abandono das obras no Viaduto do Café. "O trecho fica vulnerável. Há espaço para construir floriculturas e bancas de jornal, por exemplo. Mas enquanto não terminar a reforma, nada feito."

Segundo a Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras (Siurb), o reforço das vigas da construção só será retomado após nova licitação. Isso porque o valor da obra, iniciada em 2002, está defasado. Mas não há previsão para que isso ocorra.

De acordo com a Secretaria de Assistência Social, a população de moradores em situação de rua sob o Viaduto do Café é rotativa. Na última abordagem, um aceitou ir para um centro de acolhida. Outro tenta receber benefício do INSS e o terceiro não permitiu aproximação. À noite, são encontradas, em média, outras cinco pessoas ali.

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