Avanço na imunização exige engajamento

Ao contrário de anos anteriores, nos quais a ocorrência de surtos motivou a busca por vacinas, as notícias sobre mortes causadas pela febre amarela não foram suficientes para sensibilizar a população

Isabella Ballalai, O Estado de S.Paulo

26 Fevereiro 2018 | 03h00

O Brasil passa por um momento ímpar no que diz respeito às imunizações. Ao contrário de anos anteriores, nos quais a ocorrência de surtos motivou a busca desenfreada por vacinas, as notícias diárias sobre mortes causadas pela febre amarela não foram suficientes para sensibilizar a população. Houve filas pontuais, é verdade, mas o resultado parcial da campanha é muito insatisfatório: apenas 19,3% do público-alvo alcançado, de acordo com boletim do Ministério da Saúde em 15 de fevereiro. 

Não é fácil apontar o que pode estar levando a esse cenário. Será que a doença, apesar da alta letalidade, passou a ser vista como um problema menor? Será que moradores de áreas onde não há casos entendem que para evitar a expansão do surto e o retorno da forma urbana precisamos vaciná-los? Ou será que a culpa é das dúvidas suscitadas pelo fracionamento e eventos adversos? 

Independentemente do motivo, é necessário intensificar os esforços para reforçar que a vacinação é a única medida eficaz e segura de prevenir a enfermidade. Reações graves podem acontecer, mas a chance é de 1 caso para cada 500 mil a 1 milhão de doses aplicadas, ao passo que a febre amarela matou cerca de 35% dos doentes no Brasil desde 2016. 

É PRESIDENTE DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE IMUNIZAÇÕES (SBIM).

 

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