Avaliação é boa foto, mas deve resultar em políticas públicas

Nos últimos anos, vimos o surgimento de vários indicadores de qualidade da educação no País. E todos eles mostram que a nossa situação não é nada animadora. Sou a favor de avaliações e acredito que o Brasil tem feito bons diagnósticos da educação. O Conceito Preliminar de Cursos (CPC) está entre eles e é uma boa fotografia do nosso ensino superior. O problema aparece quando não se utilizam os resultados para construir e implementar políticas públicas capazes de alterar a qualidade da educação no País.

ANÁLISE: Maria Marcia Malavasi, da Faculdade de Educação da Unicamp, O Estado de S.Paulo

03 Dezembro 2013 | 02h09

As "fotografias" que estamos vendo são bastante injustas e os mais penalizados com as consequências da educação que se oferece hoje são as classes de menor nível socioeconômico. O mercado de trabalho vem ditando algumas regras, como a necessidade de ter formação superior. E ajustar-se a essa imposição significa buscar uma formação que lhe seja possível e, em grande parte das vezes, tem alto custo. A contradição só será resolvida quando investirmos pesadamente em educação básica de qualidade.

As boas avaliações conseguem produzir indicadores sérios que captam a estreita ligação entre os problemas atuais dos cursos de ensino superior, como ausência de bons projetos políticos e pedagógicos, de adequada estrutura pedagógica, de professores bem formados, de melhores condições de trabalho e de melhores salários.

Não se pode negar, portanto, que o CPC é um bom retrato da qualidade dos cursos de ensino superior. O problema está em fazermos ótimas fotografias e não tomarmos medidas efetivas de melhoria. Com isso, podemos afirmar que as nossas políticas públicas de educação ainda são frágeis e insuficientes se desejamos alcançar patamares superiores neste setor.

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