Av. Paulista tem nova agressão a gays; centro concentra ataques homofóbicos

PM promete reforçar segurança na área; Prefeitura também estuda medidas para a região

Elvis Pereira, Suzane G. Frutuoso e Diana Dantas, O Estado de S.Paulo

05 Dezembro 2010 | 23h02

SÃO PAULO - Ao saírem da danceteria GLS Tunnel, na madrugada de sábado, Gilberto Tranquilino da Silva sugeriu ao amigo Robson Oliveira de Lima, em tom de brincadeira, que fossem embora de táxi para não apanhar na Avenida Paulista.

Veja também:

linkMaior parte das denúncias de homofobia envolve conhecidos da vítima

link'Acordei só, ensanguentado, com um dente quebrado e olho roxo'

 

Mas, pouco depois, enquanto andavam abraçados, foram abordados e um deles acabou espancado. A região central de São Paulo, que inclui a Paulista, é a que mais concentra ataques homofóbicos, conforme estudo inédito obtido pelo Estado.

 

Após novo ataque, a Polícia Militar promete agora reforçar a segurança na área. A Prefeitura também estuda medidas para a região, com base em um mapeamento dos ataques por bairros que deve ficar pronto neste mês.

 

O estudo foi realizado com base nas 316 denúncias recebidas pelo Centro de Combate à Homofobia (CCH) da Coordenadoria de Diversidade Sexual (Cads) entre julho de 2006 e dezembro de 2009.

Nas 50 situações de violência física relatadas, 20% são em casa, 2% no trabalho e 78% no espaço público. Conforme o perfil levantado, as vítimas normalmente têm entre 25 e 39 anos.

 

São casos semelhantes ao do ex-presidente da Associação da Parada Gay, o transexual Alexandre Peixe, que tinha 15 anos quando foi espancado por 20 homens em uma casa noturna. “Eles me diziam que se eu quisesse virar homem, deveria apanhar como um.” Peixe lembra que foi considerado culpado pelos policiais que o socorreram e levou bronca em casa, por brigar na rua.

A expectativa da Prefeitura é usar os dados da pesquisa para trabalhar todas as políticas públicas voltadas para homossexuais. Já para 2011 será feito um trabalho de conscientização em escolas e hospitais localizados na Subprefeitura da Sé - onde está o foco principal das denúncias.

 

Mãos dadas. No caso de anteontem os agressores, segundo Gilberto da Silva, eram de cinco a seis jovens, todos com pouco mais de 18 anos. Entre eles havia duas mulheres. “Fiquei indignado, ninguém pode mais andar de mão dada”, afirmou o atendente de telemarketing.

Silva e Lima, ambos de 28 anos, disseram ter deixado a boate, na Rua dos Ingleses, na Bela Vista, por volta das 5 horas. Subiram a Avenida Brigadeiro Luís Antônio e chegaram à Paulista. Como Lima andava com dificuldade, por estar bêbado, Silva o abraçou para ajudá-lo a andar.

 

Perto da entrada da Estação Brigadeiro do Metrô, os amigos se depararam com o grupo de jovens, que vinha na direção oposta. “Eles gritaram: ‘desgruda, desgruda!’”, contou Silva. “A gente se separou e seguimos em frente. Eles passaram e, depois, nos empurraram. Meu amigo caiu e um deles começou a dar socos e chutes nele.”

Silva disse ter tentado reagir, sem sucesso. O espancamento durou mais de cinco minutos. “Quando viu o rosto do meu amigo sangrando, ele parou e saiu andando normalmente.”

Os jovens vestiam camiseta preta e bermuda jeans e usavam correntes prateadas. O cabelo das mulheres era curto e o do principal agressor, espetado e com luzes. Já Lima disse se recordar apenas que dois dos integrantes do grupo eram carecas e estariam de coturno.

Após o ataque, as vítimas caminharam por mais alguns metros, até Lima desmaiar. “Encontrei um casal e eles ligaram para o 190”, afirmou o atendente de telemarketing. PMs levaram Lima para o Hospital do Servidor Público Municipal. Medicado, recebeu alta anteontem. A Polícia Civil deve iniciar hoje a investigação do caso e ouvir os dois amigos.

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