Av. Paulista sofre com falta de manutenção

Dois anos após reforma, calçadas já têm rachaduras; lixeiras e totens estão pichados

Diego Zanchetta // Fotos: Tiago Queiroz/AE, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2010 | 00h00

 

 

Nem dois anos se passaram desde a maior reforma da Avenida Paulista em três décadas e o piso de concreto de R$ 10,7 milhões, que substituiu as pedras do antigo mosaico português, tem rachaduras a cada 100m. Outros equipamentos públicos colocados na via símbolo da cidade no fim de 2008 também estão destruídos.

A reportagem contou na segunda-feira 37 lixeiras quebradas e 29 totens de sinalização de ruas pichados. Ao vandalismo soma-se a falta de manutenção do canteiro central, onde foram colocadas azaleias rosas nos 2.700 m da avenida. O espaço seria "o novo jardim" da Paulista, segundo prometia o governo municipal. Mas o canteiro virou depósito de bituca e restos de lanche.

O governo também prometia plantar 230 mudas da espécie pau de ferro, para substituir as 108 árvores removidas para a execução da reforma. Mas as mudas pouco cresceram. Algumas viraram galhos secos. Para cuidar da manutenção do novo paisagismo, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) chegou a criar o cargo de gerente da Paulista. A função teve duas pessoas nomeadas em menos de um ano e acabou extinta em agosto de 2009.

É difícil acreditar que a calçada, toda manchada por chicletes e com o piso aos pedaços, tem apenas 20 meses. Como o friso de cobre usado nas juntas de dilatação da calçada foi furtado em quase toda a extensão da avenida, os pisos começaram a se soltar. Os buracos podem ser observados, por exemplo, na frente do Parque Mário Covas, na altura do número 1.853, já no final da Paulista, ou no seu início, na frente do Itaú de número 459.

A retirada do friso das juntas ainda comprometeu as tampas de bueiros, que estão soltas. "Depois das 18h, os catadores reviram os lixos no canteiro, as lixeiras são usadas como banheiro pelos moradores de rua", diz Olinda Ferreira, dona de uma banca.

A reportagem também constatou que não havia policiais nas bases da PM na frente do Masp e na esquina da Paulista com a Alameda Joaquim Eugênio de Lima. Já a guarita da PM que ficava na esquina da Brigadeiro Luís Antonio com a Paulista está em "manutenção".

Justificativa. A Prefeitura afirma que a responsabilidade por manter em ordem as calçadas é dos proprietários, mesmo quando o poder público tenha feito reformas. E diz que equipes percorreram a avenida e constataram que os canteiros "estão limpos". O governo garante que um estudo vai ser realizado para verificar se há necessidade de ampliar o número de varrições.

Sobre as lixeiras, a Prefeitura explica que retirou 40 peças para reforma e todas serão repostas. A época do ano seria o motivo da aparência ruim das flores. A Secretaria de Coordenação das Subprefeituras acredita que a gestão operacional da Paulista vai melhorar com a centralização das ações de limpeza e zeladoria em uma única subprefeitura - atualmente, Sé, Pinheiros e Vila Mariana são responsáveis por determinados trechos.

A Paulista também será a próxima a receber a Operação Delegada, na qual PMs de folga ajudam a combater a ação de ambulantes - e são remunerados por isso. A ação já ocorreu em locais como a Rua 25 de Março e os Largos 13 e da Concórdia. Ainda em relação à segurança, a Polícia Militar vai criar uma companhia exclusiva para a avenida.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.