Av. dos Bandeirantes terá obra modesta

Megaproposta de reforma, lançada há 4 anos, foi abandonada; justificativa da Prefeitura é que o Rodoanel Sul retirou caminhões da área

Renato Machado, Eduardo Reina, O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2010 | 00h00

A Prefeitura de São Paulo vai substituir por um projeto mais "modesto" a reforma na Avenida dos Bandeirantes, principal acesso da Marginal do Pinheiros às rodovias rumo à Baixada Santista. O poder público lançou, há 4 anos, uma megaproposta de renovação da via, que agora é abandonada sob a alegação de que o Trecho Sul do Rodoanel conseguiu retirar boa parte do tráfego pesado do local.

Mesmo assim, o projeto está sendo chamado de a "maior intervenção dos últimos 30 anos". "Os projetos anteriores trabalhavam com a hipótese de transformar a Avenida dos Bandeirantes em uma via expressa. Agora, queremos uma importante via de ligação, só que para os automóveis", diz o secretário de Coordenação das Subprefeituras, Ronaldo Camargo.

Agora a aposta é na conclusão da extensão da Avenida Roberto Marinho até a Rodovia dos Imigrantes, um projeto de cerca de R$ 2,9 bilhões. "Achamos mais adequado jogar os esforços na Roberto Marinho para fazer a licitação sair", diz Camargo.

As ações na Bandeirantes serão basicamente de recuperação do asfalto, canteiros e calçadas. Cerca de 50% dos oito quilômetros de extensão da via passarão por um processo de recapeamento. Será realizado serviço de drenagem - na tentativa de aumentar a durabilidade do asfalto. A Prefeitura também promete recuperar os canteiros centrais e as calçadas.

"É uma reforma bem mais modesta do que aquela pensada há seis, sete anos, até por conta da reforma das Marginais e da conclusão do Rodoanel. Mas é uma realidade", disse o prefeito Gilberto Kassab (DEM).

A Prefeitura calcula que não há mais necessidade de aumentar a capacidade da Avenida dos Bandeirantes, que deve se tornar uma via de ligação utilizada em grande parte por automóveis e motos. Isso porque a maioria dos caminhões já migrou para o Trecho Sul do Rodoanel. São prometidas novas restrições aos veículos de carga no local.

Dados da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) mostram que no horário de pico da manhã o número de caminhões por hora baixou 39%, de 2.389 para 1.457. À tarde, a redução foi de 51,3% (2.852 para 1.389).

Alguns moradores, no entanto, consideram que o tráfego de caminhões foi substituído pelo de carros, o que voltou a carregar a via. Segundo o empresário James Akel, que mora na Rua Uapixana, isso comprova a necessidade de ampliação da via. "Há muito mais carros do que caminhões. Pela manhã, sentido Marginal, as filas estão do mesmo jeito, mas com veículos leves", diz.

Roberto Marinho. O prolongamento da Roberto Marinho está previsto para ser concluído em 2011. Será entre a Avenida Dr. Lino de Moraes Leme e a Rua Pedro Bueno. Haverá um túnel de 2,8 quilômetros de extensão. Na parte superior será criado um parque linear ao longo do canteiro central. Afetará uma área de 1,3 milhão de m² entre Brooklin, Jabaquara e Vila Mascote. / COLABOROU ANA BIZZOTTO

Para lembrar

Projeto anterior foi orçado em R$ 200 milhões

Orçado em R$ 200 milhões (a execução exigiria uma quantia muito superior, segundo a Prefeitura), o projeto inicial previa a circulação de caminhões apenas nas duas faixas da esquerda, que seriam exclusivas para transporte de carga, e a eliminação de três cruzamentos com semáforos: no Viaduto Santo Amaro, na Rua João Carlos Mallet e na Alameda dos Tupinás. Provocaria a desapropriação de 250 lotes ao longo da via - cerca de 7 mil m² desapropriados - para que a Bandeirantes pudesse ganhar uma quinta faixa em cada pista, aumentando a largura do leito de 13 metros para 16 metros. Haveria uma revitalização paisagística com praças, belvederes e iluminação.

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