SERGIO CASTRO/ESTADÃO
SERGIO CASTRO/ESTADÃO

Auxiliar de enfermagem é preso sob suspeita de matar empresário no Hospital São Paulo

Motivações do crime ainda são investigadas, mas principal suspeita é de que motivo seja dívida de R$ 10 mil, contraída pelo funcionário; vítima não era paciente e não tinha nenhuma relação com o hospital

Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

07 de agosto de 2015 | 18h09

SÃO PAULO - O auxiliar de enfermagem José Carlos da Silva Santos, de 52 anos, foi preso em flagrante sob acusação de ter assassinado um homem dentro do Hospital São Paulo, na Vila Clementino, na zona sul da capital, na madrugada desta sexta-feira, 7. As motivações do crime ainda são investigadas pela Polícia Civil, mas a principal suspeita é de que o motivo seja uma dívida de R$ 10 mil, contraída pelo funcionário do hospital.

O corpo do empresário de transporte Fernando Luiz Raymundo, de 41 anos, que também atuaria como agiota, foi encontrado por uma faxineira em uma sala do terceiro andar do hospital por volta das 6 horas. Ao lado dele, havia um saco plástico que pode ter sido usado pelo assassino para asfixiar a vítima. No horário em que Raymundo foi morto não havia ninguém no setor, que fecha durante a madrugada. Ele não era paciente do hospital.

Nas imagens de câmeras de segurança analisadas pelos policiais do 16.° Distrito Policial (Vila Clementino), responsáveis pelo caso, a vítima aparece entrando na sala acompanhada por Santos, que carrega um copo de água e uma "aparente medicação". Pouco depois, o auxiliar de enfermagem sai do local sozinho.

O suspeito ainda retornaria, horas depois, para abrir a porta, olhar a sala e depois voltar para o plantão. Os investigadores acreditam que Raymundo foi morto entre 1h e 3h. Possivelmente ele foi dopado antes de ser assassinado. O corpo não apresentava sinais de agressão ou de luta corporal.

"Ainda não está claro como a vítima morreu. Ele pode ter ingerido uma dose grande da medicação ou ter sido asfixiado", afirma o delegado Edilzo Correia de Lima, titular do 16° DP. "Precisamos aguardar o resultado do laudo pericial para ter certeza", diz. Segundo afirma, Santos trabalha no hospital há 30 anos e pode ter atraído e facilitado o acesso de Raymundo, justificando se tratar de um amigo.

Os dois se conheciam havia cerca de três anos e, segundo a polícia, eram homossexuais, o que faz os investigadores apurarem se tinham alguma relação amorosa. Em depoimento prestado na delegacia, Santos disse ser "homossexual não praticante" e negou qualquer envolvimento afetivo com a vítima.

De acordo com policiais, ele chegou a confessar o crime, mas depois voltou atrás. "O depoimento é contraditório. Percebe-se que ele está claramente em choque", diz o delegado titular. Também segundo a Policia Civil, nenhum colega de trabalho notou comportamento estranho do auxiliar de enfermagem nos últimos dias. Até o momento, o suspeito não constituiu advogado.

Santos foi preso por homicídio qualificado e levado para o 16° DP, mas deve aguardar a decisão da Justiça sobre o pedido de prisão preventiva no 26° DP (Sacomã). Caso a prisão seja decretada, ele será conduzido à um Centro de Detenção Provisória.

Raymundo trabalhava com transporte de deficientes, mas, segundo a polícia, não tinha qualquer envolvimento com o Hospital São Paulo.

Em nota, a instituição afirma que "a agressão ocorrida nas dependências da instituição envolveu assuntos particulares entre a vítima e o agressor" e que "o caso já está sob os cuidados das autoridades competentes". "Vale ressaltar que a vítima não era paciente do Hospital São Paulo", diz a nota.

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