Autor se assustou quando soube quem era a vítima

Nos depoimentos, testemunhas contaram que o autor da ligação ao vice-presidente José Alencar ficou alarmado quando percebeu a importância de sua vítima. Os presos estavam jogando baralho, quando um disse "estamos com uma pessoa forte da Justiça na linha". Segundo os depoentes, a pessoa que tentou extorquir dinheiro de Alencar passou dias preocupado com os desdobramentos do crime.

, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2010 | 00h00

No entanto, tanta repercussão não foi suficiente para que a Polícia Civil ou a Polícia Federal no Rio instaurassem inquérito para chegar à autoria da tentativa de extorsão ao vice-presidente. A PF informou que para investigar o crime seria necessário que Alencar fizesse uma representação formal. Já a Polícia Civil não informou o motivo de não ter instaurado investigação.

O Gabinete de Segurança Institucional (GSI), em Brasília, disse que "o assunto ficou a cargo do Rio" e que não iria se pronunciar sobre o assunto. A assessoria do vice-presidente não respondeu e-mail com pedido de entrevista com Alencar.

O delegado titular da DAS, Marcos Reimão, esclarece que não é atribuição da delegacia a investigação de crimes desse tipo. O inquérito em que as testemunhas contam detalhes sobre a prática de extorsão por telefone foi aberto na DAS por uma coincidência. Quando a vítima estava indo entregar o dinheiro aos autores da extorsão, o taxista que a transportava avistou uma viatura da delegacia e pediu ajuda, de acordo com relatório da polícia. Assim como o crime contra o vice-presidente, as denúncias sobre o esquema de extorsão nos presídios não estão sendo investigadas.

A Promotoria de Investigação Penal de Bangu, responsável pela área do presídio, afirma não ter recebido cópia dos depoimentos, embora o promotor Bruno Menezes, da 40.ª Vara Criminal da capital, tenha pedido o encaminhamento, em ofício, no dia 14 de maio. O Estado tentou, durante uma semana, falar com a promotora responsável por Bangu, mas não obteve resposta. A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária respondeu que não teve conhecimento das denúncias.

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