Autor do disparo que matou estudante se entrega à polícia

Comerciante alega que só deu um tiro para trás; tempo para prisão em flagrante já está esgotado

Oswaldo Faustino, do estadão.com.br, e José Dacauaziliquá, do Jornal da Tarde ,

28 de maio de 2008 | 02h45

O comerciante Ismael Vieira da Silva, de 23 anos, que matou com um tiro Alexandre Andrade Reyes, de 18, se entregou na terça-feira à tarde à polícia. A vítima foi assassinada na sexta-feira à noite, depois de uma briga de trânsito, no Jabaquara, zona sul de São Paulo. Silva disse à polícia que atirou porque se sentiu ameaçado pelo grupo que estava com Reyes. Ele estava acompanhado apenas da namorada e temia que ela fosse agredida. O comerciante ainda prestava depoimento na sede da 2ª Delegacia Seccional no início da madrugada desta quarta-feira, 28. Como o tempo para um flagrante já se esgotou, ainda não está certo se ele permanecerá detido. De acordo com o delegado seccional, Silvio Balangio Júnior, um pedido da prisão temporária, de 5 a 30 dias, depende do depoimento dele e de outras investigações. A polícia chegou à casa de Ismael, que no dia do crime dirigia a picape Chevrolet Montana vermelha de seu pai, depois de cruzar dados de registros de veículos no Detran. As testemunhas do crime tinham apenas as letras da placa DPL e os número 12, que poderiam estar em qualquer posição entre os demais. Após o cruzamento de dados, a polícia descobriu que havia um veículo com essas características em São Bernardo do Campo. Na tarde de terça-feira chegaram à casa, mas não encontram o carro e nem o filho do proprietário. Pouco depois, o advogado de Ismael ligou para a delegacia Seccional e se comprometeu a apresentá-lo, se seu cliente não recebesse voz de prisão. O comerciante já tem antecedente criminal. Ele responde a um processo de receptação, em decorrência da prisão de uma quadrilha que roubava motocicletas e ele seria um dos receptadores. Ele foi levado à delegacia e indicou aos policiais o local onde havia escondido o carro com as marca da batida, que motivaram a discussão entre ele e os ocupantes de um Chevrolet Corsa verde. Segundo o comerciante, naquela noite, ele estava com a namorada e, ao diminuir a velocidade para passar em uma lombada, aconteceu a colisão traseira. Foram chamados à delegacia Fernando Marson Pereira, Anderson Yuzo Mino e Lucas Rodrigues Singh, os amigos que estavam com Alexandre, que reconheceram Ismael como sendo o autor do disparo. Diferentes versões A versão que ele apresentou difere das demais. Ismael afirma que assim que aconteceu a batida na traseira, desceu para falar com os ocupantes do Corsa e foi agredido. Por isso, correu de volta para o Montana e apanhou sua pistola de calibre 380. Ele afirma que de dentro do carro disparou para trás, apenas para espantar os quatro e que percebeu que um deles caiu, saindo com o veículo em alta velocidade. Ismael afirma ainda que notou que era perseguido e que poderiam anotar a placa da picape de seu pai. Por isso teria jogado a arma na Rodovia dos Imigrantes. Alexandre estaria entrando no Corsa, quando aconteceu o disparo, que o atingiu na nuca.  Por volta das 22h30, policiais o levaram para indicar o local onde teria jogado a pistola. Logo em seguida, eles retornaram à delegacia para dar continuidade ao depoimento. O comerciante não recebeu voz de prisão por ter se esgotado o período em que poderia ser preso em flagrante e também por ter se apresentado espontaneamente. O delegado não descartou, porém, a possibilidade de pedir sua prisão temporária, se entender que seja necessário. Segundo ele, os depoimentos das testemunhas também apresentam algumas contradições. Os pais de Alexandre, o administrador de empresas Heitor Geraldo Reyes, de 47 anos, e a dona de casa Thaís da Silva Andrade, de 45, que são separados, também foram à delegacia ver o responsável pela morte do filho.

Tudo o que sabemos sobre:
assassinatotrânsitoAlexandre Reyes

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.