Austrália julga morte de brasileiro com Taser

Perseguição policial pelas ruas de Sydney, em março, terminou com o assassinato do estudante Roberto Curti; novas provas devem surgir

NATALY COSTA, O Estado de S.Paulo

08 Outubro 2012 | 08h42

Começou ontem na Austrália o julgamento do assassinato do estudante Roberto Laudisio Curti, brasileiro de 21 anos que foi morto em Sydney, em 18 de março deste ano. Durante uma perseguição, Curti teria sido alvo de até 17 disparos de Taser, uma pistola de eletrochoque usada pela polícia australiana.

Após deixar uma casa noturna de Sydney naquela noite, câmeras de segurança mostraram que Curti entrou em uma loja de conveniência. Depois, o sistema de monitoramento de uma outra loja já mostra o estudante correndo e caindo após ser abordado por policiais.

A polícia local chegou a afirmar que Curti teria furtado um pacote de biscoitos da loja de conveniência e, por isso, houve a perseguição. Mas, com a falta de provas e de imagens que mostrassem o percurso do garoto da loja até onde foi detido, a versão não ficou provada.

No júri, porém, uma série de depoimentos virão à tona, como o do vendedor da loja de conveniência e dos policiais envolvidos na perseguição. Segundo um parente de Curti, em um depoimento preliminar durante as investigações, esse mesmo vendedor teria negado o furto. "Ele (Curti) pediu a bolacha e o vendedor deu", conta.

Outra novidade que pode surgir durante o julgamento é o número de disparos que foram dados com o Taser - segundo informações divulgadas pela mídia australiana, Curti pode ter sido alvo de até 17 eletrochoques, mas nem todos teriam atingido diretamente o garoto. "Não foi o Taser que o matou. Foi a violência policial depois dos choques. Isso vai aparecer no inquérito", afirma o parente.

Vídeo. À época do crime, a família de Curti questionou onde estavam as outras imagens das diversas câmeras de segurança que monitoram as lojas do centro de Sydney, onde o estudante foi morto. Esses vídeos, segundo a família, já estão em poder dos advogados e serão exibidos durante o julgamento. "Quem viu disse que são cenas muito fortes. Vamos soltar (mostrar) para a imprensa em breve, depois do júri."

Roberto Laudisio Curti era paulistano e morava no bairro de Higienópolis, na zona oeste de São Paulo. Perdeu os pais ainda criança e era criado pela avó e por um tio. Para aperfeiçoar o inglês, foi fazer um intercâmbio de seis meses na Austrália, onde morava com uma irmã, Ana Luisa.

Mais espaço. A corte onde o caso será julgado teve o espaço interno remodelado para caber mais cadeiras - o caso vai contar com ampla participação popular e desperta muito interesse na mídia australiana. Amigos de Curti, a irmã e um tio, além de advogados contratados pela família, acompanharão o julgamento, que deve durar a semana inteira.

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