Austrália: 'Isso não vai parar por aqui'

Após duas semanas de audiências do inquérito, a família de Roberto Laudisio Curti só se pronunciará sobre o processo depois que a juíza der o veredicto, em 14 de novembro. "Recomendando ou não que os responsáveis sejam julgados criminalmente, isso não vai parar por aqui. Vamos prosseguir nas áreas legais, diplomáticas e de direitos humanos", adiantou ao Estado Domingos Laudisio, que veio de São Paulo para acompanhar o inquérito.

Entrevista com

JORGE BECHARA / SYDNEY , ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

22 Outubro 2012 | 07h04

Quais as consequências que vocês esperam para os policiais? Não tenho esperança de que eles passem muitos anos na cadeia, mas quero que sejam condenados por assassinato. Ficarem dois ou dez anos presos não é tão importante. É mais pelo aspecto moral e da impunidade. Eles não podem torturar e depor descaradamente por estarem protegidos pela imunidade. Atos tão barbáricos não podem ficar impunes.

O fato de a vítima ser estrangeira influenciou o processo?

O primeiro indício de que influenciou está no boletim de ocorrência feito pelo policial que chegou à loja e disse que o suspeito tinha "aparência brasileira". Depois veio uma série de reportagens negativas e mentirosas de jornais irresponsáveis locais.

Quando o Roberto morreu falou-se muito em Taser. No inquérito falou-se mais no abuso da polícia. O que mudou? As pessoas começaram a perceber que houve muito mais do que Taser. Existe bom e mau uso de armas e aqui houve um uso absurdo.

Como vê os depoimentos dos policiais e a falta de memória sobre o que aconteceu? Alguns deles mostraram sadismo e absurda falta de integridade.

Vocês estão satisfeitos com a investigação policial? Não. O próprio inquérito está mostrando as contradições.

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