Ausência de Lula no local do acidente é mau sinal, diz Freire

'Trata-se de um medroso, que está mais preocupado com vaias do que com a tragédia', diz líder do PPS

Neri Vitor Eich, do Estadão

19 de julho de 2007 | 16h51

Ao comentar o desastre com o Airbus da TAM no Aeroporto de Congonhas, o presidente do PPS, Roberto Freire, afirmou nesta quinta-feira, 19, que "a ausência do presidente da República no local do acidente é uma demonstração do descuido e da irresponsabilidade com que o setor aeroportuário vem sendo tratado pelo governo."   A declaração de Roberto Freire consta de nota divulgada pela assessoria do PPS. De acordo com a nota, Freire lembrou que estiveram no aeroporto o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, e o governador do Estado, José Serra, e perguntou: "Onde estava o presidente?"   Na avaliação de Freire, a ausência de Lula é um mau sinal: "Trata-se de um medroso, que está mais preocupado com vaias do que com a tragédia de centenas de famílias", afirmou. "O conjunto da obra, ou seja, o descaso com a estrutura aeroportuária do País torna evidente que o governo é, sem dúvida alguma, irresponsável", completou o presidente do PPS.   Ritmo das investigações   O presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Proteção ao Vôo, Jorge Botelho, disse que a comoção não pode apressar as investigações sobre as causas do acidente com o Airbus 320 da TAM. A opinião foi dada em entrevista concedida nesta quinta-feira ao programa 'Notícias da Manhã' pelo líder sindical à reportagem da Rádio Nacional AM, Brasília.    "A investigação deve ser feita de maneira criteriosa e, neste primeiro momento, não se pode descartar nenhuma hipótese sobre a causa do acidente. A investigação deve ser realizada através da análise de dados técnicos colhidos com base nos acontecimentos e do que for revelado pelo estudo das caixas-pretas. Somente depois disso, poderemos chegar a uma resposta do que realmente causou o acidente.   O líder sindical entende que o governo federal precisa reestruturar o sistema de aviação civil brasileiro, pois órgãos como Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), a Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) e o Comando da Aeronáutica não se entendem. "É preciso que o Ministério da Defesa estabeleça uma ordem e diga quem é que manda, quem é que coordena todos esses órgãos da aviação Civil" - considerou.   Mesmo sustentando que nenhuma hipótese pode ser descartada, como um possível erro humano, falta de condições da pista ou mesmo problemas técnicos na aeronave, Botelho acha que o Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, não tem mais condições estruturais para ser o maior aeroporto do País em movimentação. Ele falou que várias medidas devem ser estudadas para diminuir o movimento em Congonhas, mas que não acredita que nenhuma resolução drástica deva ser tomada no momento.   "Algo, porém, deve ser feito e todos, governo, município, empresas aéreas, moradores, todos, enfim, devem entrar nessa discussão. Alguma medida deve ser tomada, pois os moradores daquela região não podem viver nessa situação de susto permanente".   Botelho ressaltou, por outro lado, que é preciso aproveitar o momento para rever a situação do Aeroporto Internacional Governador André Franco Montoro, em Cumbica, Guarulhos, na Grande São Paulo. Para ele, a cidade está crescendo em direção ao aeroporto e, se nenhuma medida for tomada, é possível que, num futuro próximo, a situação de perigo e proximidade se repita também em Guarulhos.

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