Sinjorgran/Divulgação
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Aumentam evidências de relação do PCC com morte de jornalista na fronteira do Paraguai

Carro que foi apreendido na casa de uma das suspeitas circulou por Pedro Juan Caballero na noite do crime e pode ter sido usado por assassinos; mulher tem ligação com a facção criminosa

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2020 | 20h55

SOROCABA – Imagens de câmeras de monitoramento recolhidas pelos promotores que investigam a morte do jornalista brasileiro Lourenço Veras mostram que o Jeep Renegade apreendido na casa da brasileira Cintya Raquel Pereira Leite no sábado, 22,  em Pedro Juan Caballero, na fronteira com o Brasil, pode ter sido usado no crime. Dono do site Porã News, que denunciava a ação do narcotráfico na fronteira, Léo Veras, como era conhecido, foi executado a tiros quando jantava com a família, na noite de 12 de fevereiro.

No sábado, Cintya e outras nove pessoas foram presas, suspeitas de participação no crime. As investigações apontam ligação dela com o Primeiro Comando da Capital (PCC), facção paulista que teria ordenado a execução. Conforme o promotor Marcelo Pecci, que está à frente das investigações, as imagens mostram que o Jeep Renegade circulou pelo centro de Pedro Juan Caballero naquela noite e, em horário posterior ao crime, foi recolhido à casa de Cintya. O veículo foi apreendido no mesmo local na operação de sábado.

Ainda segundo Pecci, esse pode ser um elemento importante para esclarecer o crime e também vincularia o PCC à execução. A brasileira está condenada a 17 anos de prisão por tráfico de drogas no Brasil e, ao ser presa, apresentou documentos como se fosse paraguaia. Sua expulsão chegou a ser cogitada, mas foi suspensa após se descobrir sua possível ligação com a morte do jornalista.

Cyntia é irmã de Waldemar Pereira Rivas, o “Cachorrão”, que está foragido e também é investigado por suposta participação no assassinato de Veras. “Cachorrão” refugiou-se no Paraguai, após ser procurado por homicídio no Brasil. Ele se tornou liderança importante do PCC no país vizinho.

Em 2018, ao ser abordado numa blitz no Paraguai, Rivas acelerou o carro e arrastou um policial por vários metros. Ele mantinha desmanches de carros na fronteira e é suspeito de pagar propina a policiais paraguaios.

Conforme o promotor, o Jeep Renegade e outros quatro veículos apreendidos com os suspeitos presos passarão por perícia com produtos especiais para detectar manchas de sangue mesmo após serem lavadas. Um dos executores de Veras teria sido ferido por estilhaços de disparos feitos pelos cúmplices.

As pistolas apreendidas com eles também passarão por exames de balística. O objetivo é comparar os projéteis retirados do corpo do jornalista. Já se sabe que uma das armas disparadas contra Veras também foi usada em outras execuções atribuídas ao PCC na fronteira.

Neste domingo, 23, os promotores que investigam o assassinato de Veras decidiram pedir a prisão preventiva de nove dos presos na operação. O décimo detido, o boliviano Juan Vicente Jaime Camaro, será expulso do país. Os promotores chegaram à conclusão de que Camaro não tem relação com a morte do jornalista. A reportagem não conseguiu contato com a defesa de Cintya Pereira Leite.

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