Aumenta número de apagões na Região Metropolitana de SP

No último verão, principalmente nos três primeiros meses de 2010, 27,2% das regiões atendidas pela Eletropaulo na Grande São Paulo registraram aumento do número de horas sem energia elétrica em comparação com a média padrão. Em 21 locais houve ultrapassagem do limite padrão de horas sem luz, que atingiu mais de 1,4 milhão de consumidores ou 5,6 milhões de pessoas, segundo relatório da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) sobre qualidade de serviços para indicadores de continuidade do fornecimento de energia elétrica. Cada localidade tem uma média padrão diferente da outra.

Eduardo Reina, Jornal da Tarde

10 Fevereiro 2011 | 14h33

A pior região da capital, segundo a Aneel foi Parelheiros, cujos moradores ficaram 30,86 horas sem luz em 19,32 vezes no ano passado. Também na zona sul, no Jardim São Luiz, está o segundo pior índice. Foram 23,64 horas às escuras.

Mesmo quando a comparação é feita entre o primeiro trimestre deste ano com o de 2009, verifica-se que houve aumento substancial na quantidade de horas no escuro em todas as 21 localidades na Grande São Paulo que ultrapassaram o limite padrão sem energia. O relatório de janeiro de 2011 ainda não está concluído.

A AES Eletropaulo alega que o problema no último verão foi potencializado pelas constantes tempestades que derrubaram galhos e árvores sobre a fiação, provocando o desligamentos do sistema.

As zonas mais afetadas nos meses de verão em 2010 são São Paulo Represa – praticamente a zona sul da capital –, que estourou em 48,7 horas a média padrão para a localidade, seguido por São Bernardo do Campo, com mais 34,7 horas acima da média e Santo André, com 24,5 horas acima do normal. A zona oeste da cidade de São Paulo também registrou mais horas apagadas que a média padrão, com 5,9 horas acima.

A maioria dos setores onde os índices de continuidade de fornecimento de energia elétrica está localizada em regiões com crescimento demográfico e também com incremento da atividade econômica. É o caso de São Bernardo e Santo André e zona sul da capital. Mas também há aumento de horas apagadas nas cidades de Carapicuíba, Diadema e Guarulhos Nordeste, além de regiões importantes de São Paulo como Aeroporto, Lapa, Raposo Tavares, Santo Amaro e Vila Mariana.

A situação se reverte apenas na comparação com os segundo e terceiro trimestres de 2010, quando os problemas provocados por ventos fortes e chuvas diminuem. Nessas mesmas 21 regiões o número de horas sem luz cai bastante. Nos 21 casos, nos meses de abril, maio e junho, ainda por reflexo dos temporais, o número de horas ficaram abaixo da média padrão, com exceção de São Paulo Represa (Parelheiros) e São Bernardo do Campo Represa (Riacho Grande, Taquacetuba e outros bairros), recordistas de horas no escuro com 109,50 horas e 37,17 horas respectivamente.

"Em São Paulo está sendo registrado de 600 a 700 acidentes envolvendo a população com queda de cabos no solo, por exemplo", diz Jesus Francisco Garcia, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Energéticos do Estado de São Paulo (Sinergia). Ele diz também que as equipes de atendimento a emergências estão bastante reduzidas, o que comprometeria ações rápidas no religamento de energia. "Antes havia uma equipe para cada 300 consumidores. Agora há uma para mais de mil consumidores", disse Garcia, que espera mais apagões na Grande São Paulo neste verão.

Fernando Mirancos, diretor de operações da AES Eletropaulo, afirma que o aumento do índice de horas sem energia elétrica registrada pela Aneel no primeiro trimestre de 2010 foi consequência do período chuvoso anormal em toda a região Sudeste. "Chuva acompanhada de vento potencializa os desligamentos da rede.

Mas choveu três vezes mais que a média histórica. Como a rede de distribuição é aérea, houve volume maior de desligamentos provocados por galhos e pelo vento forte", explicou.

Quebra galhos. Dados da AES Eletropaulo mostram que 52% dos desligamentos de rede em 2010 foram provocados por queda de galhos. Foram mais de 320 quedas de árvores sobre a rede. "Em função disso foi feito um plano de emergência com manutenção preventiva e corretiva", disse Mirancos. A empresa informou que em 2010 foram podadas mais de 300 mil árvores. Em 2009 haviam sido podadas 148 mil. Também é alegado que está sendo investido na ampliação do sistema de abastecimento com três subestações novas abertas nesse ano e outras três a entrarem em operação prevista para 2011.

A Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (CTEEP), empresa responsável pela transmissão de energia elétrica para a Eletropaulo distribuir aos consumidores, alega que não há redução de manutenção em seus equipamentos. "Seria um tiro no pé, inviabilizaria os negócios da empresa. O que aconteceu recentemente em Pirituba foi uma fatalidade. Há problemas sim, tanto que problemas isolados acontecem", justificou o gerente do Departamento de Operação da CTEEP, Carlos Ribeiro.

RECLAMAÇÕES

Basta o céu ficar carrancudo, cheio de nuvens, que muita gente já sabe que além da chuva forte haverá também a interrupção no fornecimento de energia elétrica. Principalmente os que moram ou trabalham na regiões recordistas de horas sem luz.

É o caso do empresário Fernando Rachid, que tem uma empresa de metrologia – que faz a calibragem de instrumentos de medição – em Santo André. "A última vez que apagou aqui foi na semana passada. Foi cerca de uma hora e meia", contou. A interrupção atrapalha a calibragem e também a área administrativa, que fica impedida de emitir notas fiscais, ordens de serviços e outros documentos.

Em março, período do pico de apagões em São Paulo, Luciene da Silva Meira, dona de uma loja de doces no Brooklin, zona sul, teve prejuízo grande quando um apagão deixou a região de sua loja cerca de 12 horas sem luz. "Eu perdi um freezer cheio de sorvetes. Sem luz por tanto tempo os sorvetes derreteram. Agora a gente sempre fica com medo que volte a apagar tudo", queixa-se ao contabilizar perda de R$ 600.

Já Isadora Magalhães, moradora no Bairro Jordanópolis, em São Bernardo, conta que basta chover um pouco mais forte que a energia elétrica em seu bairro caia. O bairro, de classe média, é um dos mais afetados pelos apagões segundo o relatório da Aneel. "No verão, ameaçou chover forte ou ventar que já fica tudo apagado. A gente liga para a Eletropaulo e eles dizem que a religação será rápida. Mas nem sempre isso acontece", reclama.

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