Tjiago Teixeira/AE
Tjiago Teixeira/AE

Aulas de musicais viram febre. Até em academias

Só no ano passado, 21 produções foram montadas em São Paulo. E a procura por matrículas em escolas de dança e teatro só cresce

VALÉRIA FRANÇA, O Estado de S.Paulo

06 Outubro 2011 | 03h04

Sucesso em palcos paulistanos, os musicais da Broadway viraram febre em escolas de teatro, de dança e até mesmo em aulas de academias de ginástica que ensinam alunos a repetir coreografias de espetáculos.

Desde 2001, quando Les Misérables estreou em São Paulo e abriu as portas para outros musicais, como Mamma Mia!, A Bela e a Fera e Chicago, o gênero virou atração turística da cidade. Só no ano passado foram montadas 21 produções na capital. E as escolas de teatro viram o número de matrículas de interessados em musicais triplicar.

Aos 10 anos, a estudante Gabriela Rodrigues, hoje com 17, saiu de Jaú com a família para assistir O Fantasma da Ópera no Teatro Abril. "Fiquei encantada. E descobri que era isso o que eu queria fazer da vida."

De volta a Jaú, Gabi, como é mais conhecida, começou a cantar em classes de balé. A avó sugeriu que a neta fizesse aulas de teatro musical. E a cidade mais próxima para a menina estudar era São Paulo. Gabi entrou para o Team Broadway, grupo de Maíza Tempesta. "Pegava o ônibus em Jaú na sexta-feira de madrugada para São Paulo, onde fazia aulas no sábado de manhã."

Coreógrafa do programa Criança Esperança, da Rede Globo, Maíza é especializada em formar jovens para o teatro musical. Há pouco mais de um ano, a professora levou um grupo para a academia Anacã Corpo e Movimento, nos Jardins, zona sul de São Paulo, que oferece aulas como ioga, pilates, jazz e agora teatro musical para adolescentes e adultos. A academia não queria ficar fora da nova onda.

Na Anacã, ela começou com um grupo de 50 alunos. Hoje são 140. No curso de férias, em julho, muitos ficaram na lista de espera. "A grande vantagem é que lá não precisa fazer teste", diz o universitário Pietro Lacerda, de 20 anos, que participou do curso. "Qualquer um pode entrar."

Pietro continua na escola, agora nas aulas regulares, que duram quatro meses. Ele tem aula de canto, dança e interpretação com professores especializados. Durante o semestre, vai explorar os musicais Sweet Charity, Sister Act, Jesus Christ Superstar, Footloose, Fame e Glee.

"A aula é muito prazerosa. A coreografia conta uma história. E o melhor é que descobri que tinha talento para cantar", conta Pietro. "Isso mudou minha vida social. Fiquei menos tímido, ganhei autoconfiança."

Ao contrário da Anacã, a Casa de Artes Operária, centro livre de formação de atores, bailarinos e cantores para o teatro musical, aceita inscrição só de alunos com alguma noção no gênero. "Nosso curso é rápido. Dura quatro meses. Não temos tempo de ensinar o básico a ninguém", diz Cristiane Longhi, administradora executiva da escola.

Para quem não quer nada de sério com o teatro, a academia Competition oferece desde o mês passado aula de dança de musical. "Dá para queimar 500 calorias em uma aula", garante Mario Américo, de 44 anos, professor da unidade de Cerqueira César.

Malhação. Mario já integrou o elenco de Miss Saigon e A Bela e a Fera, mas também é coreógrafo de ginastas. A aula lota. "Todo mundo sonha ou sonhou em subir ao palco para dançar. E os alunos vão se soltando, ao som de trechos de musicais como Grease e Priscila, a Rainha do Deserto."

A aula não tem exercícios de alto impacto, muito menos passos mirabolantes, o que facilita a participação. E, em dia de programação especial, Mario reforça a produção com acessórios coloridos. "Todo mundo se solta e se diverte como se estivesse mesmo no palco."

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